Mesmo com um histórico de sucesso avassalador, incluindo quatro títulos mundiais e cinco ouros olímpicos, a seleção feminina dos Estados Unidos demonstra profunda admiração pela brasileira Marta Vieira da Silva, considerada a maior jogadora de todos os tempos. A reverência à atacante transcende rivalidades e fronteiras, sendo um ponto de inspiração para a equipe norte-americana.

“Marta é uma lenda! Honestamente, estar em campo com ela é surreal. É a jogadora em que muitas de nós se espelharam. Enfrentá-la é um desespero”, brincou a meia Rose Lavelle, em entrevista coletiva no centro de treinamento do São Paulo, onde as atuais campeãs mundiais se preparam para dois amistosos contra o Brasil.

A capitã Lindsay Heaps ecoou o sentimento: “[Admiro] A maneira como ela encara o jogo, técnica e taticamente, mas também o quanto ela gosta de jogar. Ela tem uma mentalidade vencedora e traz muita alegria aos torcedores”.

Apesar do domínio histórico – com 39 vitórias em 43 confrontos –, a seleção dos EUA reconhece a força do Brasil. A técnica Emma Hayes elogiou a equipe brasileira e o trabalho do técnico Arthur Elias. “O Brasil é um time de classe mundial. A equipe joga com muita responsabilidade e torna muito difícil você ter o controle do jogo. E nunca desistem”, afirmou Hayes.

Apesar de ter garantido sua vaga nas últimas edições da Copa do Mundo, as americanas agora focam na edição de 2027, que será sediada no Brasil. A classificação para o torneio continental da Concacaf, que ocorrerá entre novembro e dezembro, é o próximo passo. “Que experiência pode ser melhor do que estarmos aqui para enfrentar o Brasil, na casa delas e onde será a Copa do Mundo?”, questionou Heaps.

Hayes destacou o crescimento do futebol feminino como indústria e a importância do Mundial no Brasil. “Espero que [a Copa] traga [ao Brasil] mais investimento nos clubes, maior profissionalização. E o mais importante: que as meninas sigam jogando o máximo de tempo possível”, projetou a treinadora.

O Brasil, embora com um retrospecto desfavorável em finais contra os EUA, já demonstrou sua capacidade de vencer em casa, como nas conquistas dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e do Torneio Internacional de Brasília em 2014. Os dois amistosos contra a seleção americana ocorrem neste sábado (6), na Neo Química Arena, em São Paulo, e na próxima terça-feira (9), na Arena Castelão, em Fortaleza.