Augusto Bernardo Cecílio
Dilson Gomes Nascimento é professor da educação básica, pesquisador e defensor da educação pública como instrumento de transformação social. Sua trajetória começou na Comunidade São Sebastião do Boto, zona rural de Parintins, no Amazonas, onde viveu a experiência de estudante ribeirinho e aprendeu, desde cedo, que a educação poderia ampliar horizontes, criar oportunidades e transformar destinos.
“Desde criança, acreditava que a educação poderia mudar minha vida. Com o tempo, compreendi que ela também poderia transformar a vida de outras pessoas por meio do meu trabalho”, afirma.
Foi aluno da Escola Estadual Álvaro Maia e da Escola Estadual João Bosco, em Parintins, antes de ingressar no ensino superior. Formou-se em Licenciatura em Geografia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e deu continuidade à sua formação na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), instituição à qual permanece profundamente ligado por sua trajetória acadêmica e profissional.
No mestrado, realizado no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFAM (PPGEOG-UFAM),desenvolveu pesquisa sobre a permanência e as transformações do modo de vida ribeirinho sob a perspectiva teórica do campesinato. Orientado pelo professor doutor Manuel de Jesus Masulo da Cruz, investigou a realidade das famílias das comunidades São Sebastião e Santa Rita, contribuindo para a compreensão das dinâmicas sociais e territoriais da Amazônia.
No doutorado, também pelo PPGEOG-UFAM, sob orientação da professora doutora Amélia Regina Batista Nogueira, voltou-se para a educação escolar e para as transformações recentes do currículo brasileiro. Sua pesquisa analisou a influência dos discursos reformistas no currículo do Ensino Médio, com especial atenção à Geografia Escolar. O interesse pelo tema surgiu a partir das divergências observadas entre os discursos que defendiam a reforma do ensino médio e a forma como o currículo vinha sendo efetivamente implementado nas escolas.
A tese investigou como discursos produzidos em diferentes escalas, nacionais e internacionais, relacionados a temas como cidadania, formação integral, protagonismo juvenil e preparação para o mundo do trabalho, foram recontextualizados na construção das propostas curriculares.
A pesquisa evidenciou que, ao serem incorporados aos documentos educacionais, esses discursos passaram por adaptações e ressignificações que alteraram o papel atribuído às disciplinas escolares, especialmente à Geografia. Entre as conclusões do estudo, destaca-se a compreensão de que a crescente centralidade da pedagogia das competências pode contribuir para o enfraquecimento de abordagens geográficas voltadas à leitura crítica da realidade social, territorial e ambiental, subordinando parte dos conteúdos escolares às demandas de formação requeridas pelo mundo produtivo.
Ao analisar o currículo amazonense nesse contexto, a pesquisa contribui para o debate sobre os rumos da educação pública e sobre os desafios de assegurar uma formação cidadã crítica em meio às transformações educacionais contemporâneas.
Grato à educação pública e aos professores que marcaram sua formação, Dilson acredita que o conhecimento só cumpre plenamente sua função quando contribui para melhorar a vida das pessoas. Essa convicção orienta sua atuação como professor de Geografia da Escola Estadual Ruy Araújo, em Manaus.
Desde 2018, desenvolve projetos educacionais fundamentados na Aprendizagem Baseada em Projetos, metodologia que tem possibilitado a integração entre currículo, cidadania e realidade social. Entre os resultados alcançados estão duas participações na etapa final do Prêmio Nacional de Educação Fiscal e a conquista da primeira edição do Prêmio Estadual de Educação Fiscal do Amazonas.
Seu trabalho tem buscado fortalecer a formação cidadã dos estudantes, especialmente por meio da Educação Fiscal, compreendida como instrumento para o conhecimento dos direitos, deveres e mecanismos de participação social.
Em 2026, coordena uma iniciativa de integração do território amazônico por meio da troca de cartas pedagógicas entre escolas. A proposta promove o intercâmbio de experiências entre diferentes realidades, fortalece a escrita, amplia a compreensão do território e contribui para a formação de cidadãos conscientes e participativos.
“Acredito que a educação fiscal vai muito além dos tributos. Ela ajuda as pessoas a compreenderem seus direitos, participarem das decisões coletivas e exercerem plenamente a cidadania”, destaca o professor.
Para Dilson Gomes Nascimento, transformar a educação é também transformar possibilidades. A mesma esperança que o acompanhou na infância ribeirinha continua orientando sua atuação profissional: criar caminhos para que outras pessoas tenham acesso às oportunidades que a educação lhe proporcionou.
Auditor fiscal e professor.


