Enquanto a seleção brasileira se prepara para um confronto inédito contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, um retrospecto que inclui dois empates e duas derrotas para o Brasil desde 1998, a relação entre os dois países fora das quatro linhas revela uma forte aliança em prol do meio ambiente.
A Noruega se destaca como a principal financiadora do Fundo Amazônia, iniciativa brasileira criada em 2008. Recentemente, o país nórdico ampliou sua colaboração ao se tornar parceiro do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Este novo mecanismo visa captar recursos públicos e privados para a conservação de florestas tropicais em diversas regiões do globo, com foco especial na América do Sul, África Central e Sudeste Asiático.
Lançado oficialmente durante a COP 30 em Belém, o TFFF recebeu um compromisso de investimento de US$ 3 bilhões da Noruega ao longo de dez anos, o maior aporte individual já feito pelo país em conservação florestal. A iniciativa conta com a participação de 66 países e já reuniu US$ 6,8 bilhões, incluindo contribuições do Brasil, Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo e Países Baixos, além de um aporte da Fundação Minderoo.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, ressaltou o potencial do TFFF em oferecer financiamento estável e de longo prazo. O plano brasileiro é alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões e mobilizar US$ 125 bilhões de capital privado para serem aplicados em países com florestas tropicais, totalizando 1 bilhão de hectares. A China também sinalizou interesse em aderir ao fundo, com equipes já trabalhando nos detalhes da participação.
O Fundo Amazônia, por sua vez, já destinou mais de R$ 4,9 bilhões para financiar mais de 650 ações em diversas frentes, como prevenção e combate ao desmatamento, restauração florestal e produção sustentável, sendo gerenciado pelo BNDES. A Noruega é a maior contribuinte para este fundo, seguida pelo Reino Unido e Alemanha.
Apesar de ser uma grande financiadora de projetos ambientais, a Noruega também é uma significativa exportadora de petróleo e gás, o que gera uma contradição em relação ao seu impacto climático global. No entanto, ambientalistas reconhecem o papel de liderança da Noruega na cooperação internacional para a conservação. Maurício Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional (CI-Brasil), enfatiza a importância da parceria para a natureza e destaca que a Noruega tem investido em iniciativas limpas internamente, como veículos elétricos.
Bianco aponta que a proteção e restauração de ecossistemas são cruciais para mitigar as mudanças climáticas, mas demandam investimentos significativos. Ele lamenta que a natureza receba apenas 3% do financiamento climático global, apesar de ser responsável por um terço das soluções. A Noruega, segundo ele, serve de exemplo para outras nações desenvolvidas sobre a importância de financiar soluções ambientais para evitar crises climáticas e de biodiversidade.
O Greenpeace Brasil reforça que o controle do desmatamento e da degradação florestal são essenciais para limitar o aquecimento global e garantir um planeta habitável para as futuras gerações.


