A participação histórica da seleção de futebol de Cabo Verde na Copa do Mundo, marcando presença na fase de mata-mata, rendeu ao país africano o reconhecimento global e uma inesperada onda de admiração no Brasil. A jornada dos ‘Tubarões Azuis’, apesar da eliminação nas oitavas de final para a Argentina, é o foco de uma reportagem especial em parceria entre a TV Brasil e a teleSUR, que explora as profundas semelhanças culturais e históricas entre as duas nações. O programa será exibido nesta segunda-feira (13/07), às 23h, na TV Brasil.

O presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, destacou a conexão afetiva entre os países, afirmando: “A maioria dos cabo-verdianos torce pelo Brasil na Copa do Mundo e, desta vez, temos a nossa própria seleção. Há muito tempo que nós já descobrimos o Brasil e é bom que nesta Copa o Brasil redescubra Cabo Verde”. Essa relação de proximidade se manifestou intensamente durante o torneio, com os brasileiros acompanhando e torcendo pela performance inédita de Cabo Verde.

A equipe de reportagem desembarcou na capital cabo-verdiana, Praia, dias antes da estreia da seleção, encontrando um país imerso em clima de Copa. A paixão pelo futebol era palpável nas ruas, refletida no entusiasmo dos torcedores que entoavam o lema em crioulo: “Nos óra dja txiga”, que significa “a nossa hora já chegou”. A reportagem capturou essa atmosfera vibrante, mostrando a força de um arquipélago africano composto por dez ilhas, a uma curta distância de voo do Brasil.

Com uma diáspora significativa, estimada em 1,5 milhão de pessoas em todo o mundo, Cabo Verde tem metade de sua seleção formada por atletas nascidos no exterior. Mário Semedo, presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, explicou que o país se considera com onze ilhas, onde a décima primeira é a sua comunidade emigrante espalhada por Portugal, Estados Unidos, França e Holanda, entre outros.

O programa detalha momentos cruciais da campanha, como a estreia contra a Espanha, onde cada defesa do goleiro Vozinha foi comemorada como um gol, culminando em um empate histórico de 0 a 0. Vozinha, que se tornou um ídolo e ganhou milhões de seguidores, compartilhou em entrevista as dificuldades enfrentadas pelos atletas em Cabo Verde, a escassez de materiais esportivos e sua dedicação em suprir as necessidades da equipe.

A reportagem acompanhou também os jogos contra Uruguai, África do Sul e Argentina, culminando com a chegada dos jogadores em Cabo Verde no dia 5 de julho, data da Independência do país. A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade ressaltou a importância da equipe, não apenas pelos jogadores em campo, mas por toda a comissão técnica e atletas que permaneceram unidos, transmitindo uma lição de humildade e resiliência.

Zé-Di-Nhana, considerado o “Pelé de Cabo Verde” e integrante da primeira seleção nacional em 1978, relembrou a trajetória do time, que antes não era conhecido como “Tubarões Azuis”. Caminhando pela comunidade da Várzea, berço de grandes jogadores, ele enfatizou a importância de ter enfrentado o desafio sem medo: “O que nós fizemos foi bom. Porque o Cabo Verde está no Mundial.”

Embora a classificação para as quartas de final não tenha se concretizado, a passagem de Cabo Verde pela Copa do Mundo deixa um legado inspirador. A reportagem convida o público brasileiro a descobrir mais sobre a cultura cabo-verdiana, suas riquezas naturais, sua música e a “morabeza”, o acolhimento característico do povo local, fortalecendo ainda mais os laços entre as duas nações.