À medida que a Copa do Mundo se aproxima do fim, uma coalizão internacional de ativistas e organizações de saúde lança um apelo contundente: que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) encerre os contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas, como a Coca-Cola, em futuras competições.
A iniciativa, batizada de “Tirem o Refrigerante de Campo”, visa pressionar a Fifa a reavaliar suas parcerias comerciais, argumentando que a associação entre o futebol e produtos prejudiciais à saúde gera um impacto negativo, especialmente sobre crianças e adolescentes.
A preocupação central da campanha reside na ligação comprovada entre o consumo de bebidas açucaradas e o aumento de problemas de saúde pública, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Dados apresentados pela campanha indicam que um aumento na ingestão diária dessas bebidas está diretamente associado a maiores riscos de desenvolver essas condições e até mesmo de mortalidade.
Mais de 100 organizações de diversos países, incluindo oito brasileiras como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Aliança pela Alimentação Saudável, endossam o movimento. Elas enviaram uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino, alertando para o fenômeno do “sportswashing”, onde marcas utilizam o prestígio do esporte para promover produtos que afetam negativamente o bem-estar.
A carta destaca que bilhões de torcedores, muitos deles jovens, são expostos a mensagens publicitárias que associam ídolos do futebol a bebidas açucaradas, normalizando seu consumo apesar dos riscos à saúde. “O futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”, afirma o documento.
Renata Couto, diretora executiva do Instituto Desiderata, ressalta que a publicidade direcionada a crianças e adolescentes é uma estratégia de marketing eficaz para moldar hábitos alimentares não saudáveis desde cedo, com consequências a longo prazo para a saúde.
A campanha também traça um paralelo com o passado da indústria do tabaco, que enfrentou pressão semelhante e eventualmente foi afastada de patrocínios esportivos. A expectativa é que a Fifa siga um caminho similar, priorizando a saúde de seus torcedores.
Paralelamente, a Copa do Mundo também tem sido palco de discussões sobre a publicidade de plataformas de apostas online (“bets”), que também têm recebido críticas de setores da sociedade civil e autoridades. No Brasil, medidas restritivas foram implementadas recentemente para esse tipo de anúncio, exigindo alertas sobre os riscos associados ao jogo.


