Após reunião com lideranças petistas no Amazonas, neste final de semana, o ex-deputado Marcelo Ramos (PT), afirma que eleitor de Lula precisa ter duas opções na disputa ao Senado e a decisão de manter-se como pré-candidato ao senado, pode aumentar tensão com Eduardo Braga e Lula

O cenário político do Amazonas ganhou um novo ingrediente neste sábado, 18, com o anúncio do ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) de que manterá sua pré-candidatura ao Senado Federal, contrariando a orientação da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, que defendia sua candidatura à Câmara dos Deputados.

A decisão ocorre poucos dias depois de Ramos ter informado publicamente que acataria o entendimento da executiva nacional e refletiria sobre seu futuro político.

“Ao mesmo tempo que eu tinha um profundo sentimento de frustaçao, eu tinha uma profunda responsabilidade como projeto do presidente Lula. Um partido como o PT, não tem o direito de permitir que o eleitor amazonense, em 2026, saia de casa sem nenhuma alternativa de esquerda para votar. Isso não tem a ver com ganhar ou perder, mas com responsabilidade histórica com o campo político que nós representamos”, desabafou Marcelos Ramos na reunião do PT em Manaus,

A mudança de posição ocorreu após a reunião com dirigentes, militantes e lideranças petistas no Amazonas. Segundo pessoas ligadas ao grupo, prevaleceu o entendimento de que o eleitorado alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa contar com uma alternativa própria na disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo nas eleições deste ano.

Nos últimos dias, Marcelo Ramos revelou que esteve em Brasília para uma reunião com a cúpula nacional do PT. Na ocasião, afirmou que foi informado de que a direção partidária defendia sua candidatura a deputado federal, entendimento que, segundo ele, teria sido influenciado por um pedido do senador Eduardo Braga (MDB).

De acordo com Ramos, Braga argumentou que uma candidatura petista ao Senado poderia dividir os votos do campo político de apoio ao presidente Lula e favorecer candidatos de outras correntes políticas. No Amazonas, lula contará com o apoio do PSD, comandado no estado pelo senador Omar Aziz, pré-candidato ao governo.

Após retornar ao Amazonas, o ex-deputado divulgou um vídeo nas redes sociais informando que respeitava a decisão da direção nacional e que utilizaria os dias seguintes para conversar com familiares, aliados e a militância antes de definir os próximos passos. O posicionamento levou parte do meio político a interpretar que sua pré-candidatura ao Senado estava praticamente encerrada.

Entretanto, depois de ouvir dirigentes estaduais e representantes da base petista no Amazonas, Marcelo Ramos decidiu manter seu projeto eleitoral.

Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que, como o eleitor votará em dois candidatos ao Senado, o campo político de apoio ao presidente Lula deveria oferecer mais de uma opção aos eleitores no Amazonas, ampliando a representação do grupo na disputa. Esse argumento já havia sido defendido publicamente por Ramos nos últimos dias.

A decisão pode alterar a dinâmica das articulações da base governista no Estado.

Integrantes do PT que defendem a candidatura de Marcelo sustentam que a retirada de seu nome da disputa poderia provocar insatisfação entre militantes e lideranças locais, que desejam uma candidatura própria da legenda ao Senado.

Por outro lado, aliados de Eduardo Braga avaliam que a concentração de votos em um único candidato da base seria uma estratégia eleitoral mais eficiente, posição que motivou as conversas com a direção nacional do partido, segundo relatos de Marcelo Ramos.

Com a manutenção da pré-candidatura, o PT no Amazonas volta a enfrentar um desafio interno para compatibilizar as decisões da direção nacional com as demandas apresentadas por sua militância estadual.

A definição oficial das candidaturas dependerá das deliberações partidárias e das convenções eleitorais, mas o episódio evidencia que a disputa pelas duas vagas ao Senado promete ser um dos capítulos mais intensos da corrida eleitoral no Estado.

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores ainda não se pronunciou sobre a decisão de Marcelo Ramos.