A Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirmou sua previsão de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ao longo deste ano. A análise, divulgada nesta quarta-feira (22) no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, aponta para uma expansão moderada da economia, impulsionada principalmente pelos setores extrativo e do agronegócio, além da força demonstrada pelo setor de serviços.

Apesar do cenário positivo em alguns segmentos, a CNI levanta preocupações sobre fatores que podem limitar uma recuperação mais robusta. Juros ainda elevados, inflação que persiste, aumento nos custos de produção e um fluxo crescente de importações são apontados como os principais entraves. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, destacou que o crescimento se manterá ancorado em commodities e em estímulos à demanda, mas a política monetária restritiva e as incertezas fiscais continuam sendo obstáculos significativos para uma expansão mais acelerada.

No que diz respeito à inflação, a CNI revisou suas expectativas para cima, antecipando que alimentos, combustíveis e serviços continuarão a exercer pressão sobre os preços ao consumidor. O cenário fiscal também gera apreensão, com a expectativa de que o aumento das despesas públicas mantenha o déficit nas contas do governo, elevando o endividamento do país, mesmo com o crescimento da arrecadação federal.

A indústria, em particular, teve sua projeção de crescimento revisada para cima, atingindo 2,1%. A atividade extrativa, beneficiada pela produção de petróleo, é um dos motores desse avanço. Já a indústria de transformação, embora com melhora na perspectiva, ainda enfrenta desafios como o avanço das importações e os altos custos. A construção civil deve receber um impulso com as políticas de crédito habitacional e investimentos em infraestrutura.

O agronegócio também teve sua projeção elevada pela CNI, impulsionado por uma safra recorde esperada, especialmente de soja, e pelo crescimento da produção animal. O setor de serviços, embora com uma leve redução na expectativa de crescimento, continua a ser sustentado pelo mercado de trabalho e pelas vendas no varejo, mas o aumento da inadimplência e o endividamento das famílias podem moderar seu desempenho.

Diante da inflação persistente e do cenário fiscal, a CNI também ajustou suas projeções para a taxa básica de juros (Selic). Agora, a expectativa é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, indicando que a política monetária permanecerá restritiva. O cenário externo, marcado pela guerra no Oriente Médio, continua sendo um fator de risco, impactando custos de energia e fertilizantes, embora a pressão possa diminuir com o aumento da oferta global de petróleo. O avanço das importações de bens de consumo também é um ponto de atenção, especialmente se houver a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que poderia afetar as exportações.