Alcides Neves é o compositor que mais me influenciou para seguir na estrada da música, como compositor.

Guto Rodrigues – A música MPB amazonense, no campo autoral, têm como precursores os três mestres, ligados ao samba, Carapanã (Agnelo Rodrigues) , Maranhão (Antônio Soares) e Domingos Lima. Situados historicamente nos anos de 1950.

A partir de 1968 A MPB, vai se consolidando , e os principais nomes são Anibal Beça, Aldisio Filgueiras, Alexandre Oto, Alcides Neves e Adelson Santos , os cinco A e mais Celito Chaves, Corujão(Edmar Costa)e Wandler Cunha, todos se projetaram nos festivais de Música Estudantis, antes do fechamento pela ditadura.

Esses artistas consolidaram a música amazonense pela grande qualidade das músicas e das letras. Alcides Neves ganhou um festival com música “Descampado”, no Cheik Club. O público cantava com Lili Andrade(jovem),que defendeu a canção, “pé na estrada é quase em vão, pingo d’água no sertão, mas sem calo e sem semente não exala flor na mão. Será que o meu boi morreu…”

Alexandre Oto levantou o público no Teatro Amazonas com “Santa Clara clareou”.

Aníbal Beça, com cantiga que quase virou canção domingo, ganhou o festival realizado no teatroArena do P 10, com interpretação de Jander Ruber que fez o povo entoar “Hoje é domingo na vila de São José da Barra”. Aldisio Filgueiras não estava no festival que ganhou. O pessoal do Tesc, com Maurício Polari a frente inovaram com ” Sou feliz palhaço o ano inteiro”, no teatro arena do P 10, empatando e tirando o brilho de “Tarumã” de Corujão(Edmar Costa). Adelson Santos não venceu festivais, mas destacou-se com os arranjos inovadores de suas canções. Celito ganhou o júri popular, com música Maliça. Foi tão cantadada quanto o hoje é domingo de Anibal Beça.

Wandler Cunha vai vencer o festival mais glamoroso de todos, naquela fase de 1966 a quase iniciando os anos 70, realizado no Olímpico Clube, tendo como jurados, Capinan e Macalé. Wandler, que no Festival anterior destacou-se com música Jogo de Calçada, gravada pelos mutantes, ganhou o Festival do Olímpico com música “genialidade”. “É o grito geral dos homens som musicais… Bienal… Bienal”.

Houve briga nos bastidores, Anibal Beça não foi pra final com “banho de igarape” com uma grande produção, figurino, etc. desligaram o som. Anibal, fulo deixou o poeta de lado, encarnou o Gordo e distribuiu supapos. Neste festival, até Tavinho Burnier cantou sua musica, com suas irmãs e não foi classificado. Mas tudo foi contornado, quando Macalé fez aquele show musical, com as letras modernas de Capinan. Imperou naquele momento, uma verdade: que o tropicalismo existe e pede passagem. Entretanto, dias depois li ,no pasquim, referência ao festival de música do Amazonas com a letra da música Ponta Negra mon Amor, apenas com o nome do Aldisio Filgueiras , sem o nome do Alcides Neves, a música é dos dois, Aldisio defendeu no festival.

Em 1970, começam a surgir novos nomes que trouxeram o autoral até acontecer o movimento Nossa Música, no Amazonas. São Zeca Torres, que ficou em segundo lugar, com uma Bossa de sua autoria defendida com sua Irmã Ivone Torres, Paulo Graça (saudoso) vai a final com “horizonte vertical”, Guto Rodrigues, terceiro lugar com “canto noite” e Amor Fantasia,vai pra final defendida por Lili Andrade(revelação) Roberto Dibo com “tránsamazônica “, Afonso Toscano dá seus primeiro passos em festival.

Os festivais de Música Estudantis só vão ser refundados em 1982, com a derrota da ditadura e o retorno a democracia. Os artistas foram importantes nessa conquista.