Os números de 2025 trazem um cenário curioso para a América Latina. De um lado, a Argentina celebra um crescimento de 4,4%, um número que brilha nos relatórios internacionais. Do outro, o Brasil apresenta um avanço de 2,3%, que parece mais modesto à primeira vista. No entanto, ao mergulhar na base estatística dos últimos três anos, a realidade mostra que o Brasil manteve uma trajetória de enriquecimento, enquanto a Argentina ainda luta para sair de um buraco profundo.
A Ilusão do “Efeito Mola” na Argentina
O crescimento de 4,4% da Argentina em 2025 é o que economistas chamam de recuperação cíclica sobre base deprimida. Para entender esse salto, é preciso lembrar o que aconteceu antes:
- Em 2023, a economia argentina já estava no vermelho (-1,6%).
- Em 2024, o pais mergulhou em uma recessão severa devido ao ajuste fiscal de choque, encolhendo cerca de 3,5%.
Na prática, os 4,4% de 2025 serviram, em grande parte, para “pagar a conta” do que foi perdido nos anos anteriores. No acumulado de 2023 a 2025, a economia argentina termina o período apenas 1,5% a 2% maior do que era em 2022. É um movimento de queda e repique, onde o número alto de 2025 é apenas o reflexo de quão baixo o país chegou em 2024.
A Consistência Brasileira: Crescer sobre o Topo
O Brasil seguiu o caminho inverso: o da expansão linear. Diferente da Argentina, o Brasil não precisou encolher para depois saltar.
- Em 2023, o Brasil cresceu sólidos 2,9%.
- Em 2024, surpreendeu o mercado com uma alta de 3,3%.
- Em 2025, manteve o ritmo com 2,3%.
O resultado acumulado é avassalador: o Brasil chega ao fim de 2025 cerca de 8,7% maior do que era em 2022.
Enquanto a Argentina usou 2025 para tentar voltar ao patamar de dois anos atrás, o Brasil passou os últimos três anos batendo recordes sucessivos de produção e massa salarial.
Quem está melhor?
Embora o 4,4% da Argentina seja uma vitória política para a estabilização de Javier Milei, o Brasil entrega um resultado econômico superior em termos de riqueza real.
- Riqueza Nova: O crescimento brasileiro é “lucro líquido” sobre uma base que já era alta. O argentino é “recuperação de prejuízo”.
- Estabilidade: O Brasil cresce com inflação controlada (próxima a 4,5%), enquanto a Argentina, apesar da queda “mágica”, ainda convive com um custo de vida de 31,5% que castiga o consumo das famílias.
Conclusão
A “magia” dos números argentinos em 2025 não esconde o fato de que o país vive um processo de reabilitação. O crescimento de 4,4% é o sinal de que a queda parou, mas a consistência brasileira de crescer ano após ano, sem recuos bruscos, mostra quem realmente expandiu sua economia e o poder de compra de sua população no triênio.


