Em um cenário político que se intensifica a menos de um ano das eleições presidenciais de 2026, a mais recente pesquisa Genial/Quaest, publicada em 11 de fevereiro de 2026, revela uma movimentação significativa no tabuleiro eleitoral brasileiro.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) siga na liderança das intenções de voto, com cerca de 35% em simulações de primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) – estreante oficial na corrida presidencial – surge em segundo lugar com aproximadamente 29% dos votos, marcando um crescimento veloz e expressivo para um nome que anunciou sua candidatura há pouco tempo.
A aproximação do senador ao presidente Lula reflete um ambiente de crescente insatisfação de parte do eleitorado com o governo federal. A própria pesquisa aponta que 57% dos eleitores dizem que Lula não merece um quarto mandato, um número que sinaliza ceticismo sobre a manutenção do projeto petista no Planalto.
Outro ponto de destaque foi a medição de rejeição: tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro aparecem com índices de rejeição bem próximos, com o senador do PL ligeiramente à frente em rejeição (55%) contra 54% do presidente, praticamente um empate técnico.
POLARIZAÇÃO
A pesquisa aponta, dentro do tema rejeição, a polarização entre os dois possíveis protagonistas de 2026 uma das mais altas pela população, num contexto em que há forte desejo de mudança ou alternativas fora dos extremos tradicionais.
No cenário de segundo turno, embora Lula ainda mantenha vantagem nesses confrontos – como o levantamento que o coloca com 43% contra 38% de Flávio Bolsonaro – a diferença foi reduzida de maneira consistente em relação a levantamentos anteriores, sinalizando que a margem entre os dois adversários está encolhendo à medida que a campanha avança.
EFEITO ROMEU ZEMA
Dentro desse ambiente competitivo, não passaram despercebidas as especulações sobre a possibilidade de Romeu Zema (Novo), atual governador de Minas Gerais, integrar a chapa de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente.
Embora a pesquisa Quaest tenha testado Zema isoladamente e apontado cerca de 4% nas intenções de voto em cenários de primeiro turno, sua imagem relativamente mais ampla entre eleitores moderados e seu perfil não ligado ao bolsonarismo duro o tornam um nome que pode, teoricamente, ajudar a mitigar parte da rejeição e atrair segmentos mais centristas ou descontentes com Lula.
A hipótese da dobradinha Flávio/Zema, ainda embrionária nos bastidores políticos, colocaria Zema como um possível “pivô” estratégico capaz de ampliar o espectro eleitoral do PL e forçar uma recomposição das alianças dentro da direita e centro-direita.
Uma chapa Bolsonaro-Zema poderia complicar ainda mais a vida de Lula, sobretudo se conseguir somar parte do eleitorado que hoje rejeita a polarização tradicional entre petismo e bolsonarismo, mas vê com desconfiança a continuidade do governo federal.
A pesquisa sobre Zema em Minas, o aponta como imbatível contra lula e isso pode complicar ainda mais a reeleição de Lula, uma vez que o colégio eleitoral de Minas é um dos maiores do país.
REJEIÇÃO, ESCÂNDALOS
Pesam contra Lula, no contexto político desenhado por estes números os desafios concretos para que o governo do presidente que busca a reeleição, reverter a crescente desconfiança popular, em grande parte ligada à percepção de que o país ainda não conseguiu avançar de forma sustentável na melhora da economia e das perspectivas sociais para 2026 e além.
Além disso, episódios recentes — como investigações da CPMI do INSS sobre fraudes e temas relacionados a instituições financeiras — têm alimentado narrativas de crise institucional e dificuldades de gestão que podem impactar diretamente a avaliação do governo junto ao eleitorado.
No plano econômico, a missão do governo federal de demonstrar resultados tangíveis perante o eleitorado é cada vez mais difícil. A população enfrenta desafios persistentes em áreas como emprego, renda, inflação e serviços públicos, fatores que historicamente influenciam a avaliação presidencial.
A combinação desses fatores macroeconômicos com escândalos e denúncias cria um ambiente fértil para que candidatos alternativos capitalizem o insatisfação popular.
A pesquisa Quaest de 11 de fevereiro de 2026 retrata um cenário eleitoral mais competitivo do que muitos analistas previam até recentemente.
Flávio Bolsonaro emergiu rapidamente como o principal opositor de Lula, e a possibilidade de alianças estratégicas com nomes como Zema pode redefinir as dinâmicas eleitorais, obrigando o governo Lula a atuar em múltiplas frentes — política, econômica e de comunicação — se quiser desarmar a crescente desconfiança e recuperar terreno eleitoral.
O nome ‘Bolsonaro” volta a causar ‘pesadelo’ ao presidente Lula, mesmo que o ex-presidente Jair Bolsonaro esteja preso, condenado a 27 anos por tentativa de golpe, após julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


