A mais recente pesquisa do instituto Datafolha, divulgada neste sábado (7), indica um cenário de forte polarização política para as eleições presidenciais de 2026. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno.

Segundo os dados da pesquisa, Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%, diferença que se encontra dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios brasileiros entre os dias 3 e 5 de março, configurando um dos primeiros retratos do cenário eleitoral após o lançamento da pré-candidatura do senador do PL.

Apesar de ainda liderar no primeiro turno, a vantagem do presidente diminuiu significativamente em relação às pesquisas anteriores. Em dezembro de 2025, Lula tinha 51% contra 36% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, indicando uma queda de cinco pontos do atual presidente e crescimento de sete pontos do senador desde então.

QUEDA DE LULA PREOCUPA ALIADOS

O recuo do presidente Lula nas pesquisas tem gerado preocupação entre aliados políticos. A avaliação predominante nos bastidores de Brasília é que uma combinação de fatores políticos e econômicos tem contribuído para o desgaste da imagem do governo e principalmente do principal nome do PT na disputa à presidência.

Entre os pontos mais citados estão crises políticas recentes, dificuldades na articulação com partidos do centro e o avanço de investigações e denúncias que ganharam repercussão nacional. Episódios envolvendo questionamentos sobre o Banco Master e investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passaram a ser explorados por adversários políticos e ampliaram o debate público sobre transparência e gestão dentro da administração federal.

Embora ainda não haja consenso entre especialistas sobre o peso real dessas polêmicas na opinião pública, analistas políticos avaliam que escândalos ou suspeitas administrativas costumam influenciar a percepção de confiança no governo, especialmente quando se aproximam ciclos eleitorais.

Outro fator que ajuda a explicar a mudança no cenário eleitoral é a reorganização do campo conservador em torno do nome de Flávio Bolsonaro.

O senador ganhou projeção nacional após receber o apoio político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidando-se como um dos principais nomes da oposição para disputar o Palácio do Planalto.

O levantamento indica ainda que o eleitorado continua profundamente polarizado, com bases eleitorais relativamente definidas entre os dois campos políticos. Enquanto Lula mantém força em regiões historicamente favoráveis ao PT, Flávio Bolsonaro apresenta crescimento em segmentos conservadores e religiosos.

CARNAVAL PREJUDICOU LULA

Nos últimos meses, episódios culturais e debates ideológicos também entraram no centro da disputa política. Um dos casos que gerou forte repercussão nas redes sociais foi o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói durante o Carnaval, que acabou sendo interpretado por setores religiosos como ofensivo a valores familiares e à fé cristã e da ala conservadora predominante no País.

Embora não haja estudos conclusivos que comprovem impacto direto desse episódio nas pesquisas eleitorais, analistas afirmam que temas culturais e religiosos têm peso significativo em parcelas do eleitorado, especialmente entre grupos evangélicos e conservadores, que se tornaram decisivos nas últimas eleições.