Em entrevista concedida nesta segunda-feira ao Podcast dos 6, formado pelos portais Atual, Mário Adolfo, BNC, Portal Único, Blog do Hiel e Portal do Marcos Santos, um dos fundadores do movimento Amazonas Forte de Novo defendeu a união das principais lideranças políticas do estado como estratégia para recolocar o Amazonas no centro das decisões nacionais.

Segundo ele, o movimento surge com o objetivo de reconstruir força política em Brasília. “Eu e Omar lideramos hoje 27 senadores de um total de 81. Em um momento tão decisivo para o Amazonas, precisamos dos dois senadores mais importantes do estado unidos. Estamos pregando a convergência, não o conflito”, afirmou.

O entrevistado revelou que percorreu o Amazonas ao lado do senador Omar Aziz e relatou ter presenciado, em reunião em seu gabinete, o prefeito de Manaus, David Almeida, garantir apoio político a Omar. “Eu concordei com o gesto, mas não tenho nada a ver com esse acordo. O que defendo é o entendimento entre as lideranças. Para o senador Eduardo Braga, o Amazonas perdeu protagonismo, e isso precisa ser revertido”, destacou.

Conversa com David e apelo pela pacificação

Durante a entrevista, Braga que esteve na manhã de hoje, 09, na Câmara Municipal de Manaus, durante a leitura da mensagem governamental do prefeito, ele relatou conversa direta com David.

“A primeira coisa que falei com o prefeito David foi para que ele conversasse com o Omar. Vocês precisam se entender e depois me chamam. Não dá para entrar numa guerra campal onde só o Amazonas perde”, disse, evitando polêmicas sobre o apoio a David e a Omar, no caso dos dois saírem candidatos ao governo este ano. Omar já lançou a pré-candidatura. David não falou sobre o assunto.

Para Braga, o maior exemplo de força política no estado foi o ex-governador Amazonino Mendes, que soube reunir diferentes grupos em torno de um projeto comum.

“Política é soma, não divisão. Sempre defendi isso. Não sou candidato ao governo. Não é falta de coragem, é compreensão de que meu tempo passou. Disputei contra Melo, perdi, depois ele foi cassado. Amazonino venceu e depois perdeu para Wilson Lima, em um cenário nacional influenciado até pela facada sofrida por Bolsonaro”, relembrou.

Indústria 5.0 e novas oportunidades estratégicas

O entrevistado também apontou a necessidade de o Amazonas se inserir na nova revolução tecnológica. “São Paulo já está se habilitando para a Indústria 5.0. Nós precisamos garantir isso para as futuras gerações do Amazonas. Temos potencial tecnológico e riquezas estratégicas, como terras raras. O presidente Trump sabe disso, tanto que até chama Lula de ‘amor’ nas conversas internacionais”, ironizou.

União como estratégia eleitoral e institucional

Sobre o cenário político atual, afirmou que sua principal missão é impedir rupturas entre aliados históricos. “O que eu tenho que fazer é lutar permanentemente para evitar brigas entre nós. Política é a arte do possível — ou até do impossível. Estou mantendo canais desobstruídos entre Omar e David. Unidos, podemos fazer o Amazonas forte de novo”, declarou.

Ele também relembrou sua trajetória no Executivo federal, contando que recusou convite da então presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Previdência, em 2012.

“Eu disse não porque não entendia nada da área, e a Dilma ficou revoltada. Depois ela me convidou para ser líder do governo e ministro de Minas e Energia”, revelou.

A entrevista reforça o movimento nos bastidores por uma grande articulação política no Amazonas, com foco em pacificação interna, fortalecimento institucional e retomada do protagonismo do estado no cenário nacional.