Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11) pelo Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que a sensação de insegurança segue em alta no país e já impacta diretamente a avaliação do governo federal.

O levantamento mostra que a criminalidade e a atuação de facções criminosas estão entre as principais preocupações dos brasileiros, superando inclusive temas como inflação e desemprego em algumas regiões.

Pior, para a maioria da população as facções já ‘controlam’ diversas áreas em praticamente todo o País.

De acordo com os dados, a maioria dos entrevistados afirma ter medo de ser vítima de violência no dia a dia. Crimes como assaltos, roubos de celular e homicídios aparecem no topo das preocupações, especialmente em grandes centros urbanos e capitais da região Norte e Nordeste.

A pesquisa também indica que o avanço de facções criminosas, tanto dentro quanto fora do sistema prisional, é percebido como um dos principais fatores para o aumento da violência.

Outro ponto de destaque é a avaliação negativa da atuação do governo federal na área da segurança pública. Para uma parcela significativa dos entrevistados, as políticas atuais são consideradas insuficientes para conter o crescimento do crime organizado.

Há também uma percepção de falta de integração entre União, estados e municípios, o que, segundo especialistas ouvidos no estudo, compromete a eficácia das ações de combate à criminalidade.

O levantamento mostra ainda que cresce o apoio a medidas mais rígidas no enfrentamento ao crime, incluindo o endurecimento de penas e o fortalecimento das forças policiais. Ao mesmo tempo, uma parcela dos entrevistados defende investimentos em políticas sociais como forma de prevenir a entrada de jovens no crime — evidenciando uma divisão na opinião pública sobre quais caminhos devem ser priorizados.

INFLUÊNCIA DAS FACÇÕES E CONTROLE DE ÁREAS

A influência das facções criminosas também aparece como uma preocupação estrutural.

A pesquisa aponta que muitos brasileiros acreditam que esses grupos já exercem controle em determinadas comunidades, interferindo inclusive na rotina da população e na atuação do poder público.

Esse cenário reforça a percepção de que o problema vai além da segurança, atingindo áreas como política, economia e sistema penitenciário.

Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública avaliam que os dados refletem um momento crítico, em que o país enfrenta desafios complexos no combate ao crime organizado.

Eles defendem uma estratégia nacional integrada, com foco em inteligência, cooperação entre forças de segurança e políticas públicas de longo prazo.

A pesquisa acende um alerta para o governo federal, que vê na segurança pública um dos pontos mais sensíveis da gestão. Em meio à pressão popular e ao avanço das facções, o tema deve ganhar ainda mais protagonismo no debate político nos próximos meses.

PESQUISA REFLETE QUEDA DE LULA NAS PESQUISAS

Para analistas, a pesquisa afeta diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A insegurança e a polêmica sobre a rejeição em concordar com os Estados Unidos (EUA), que querem que o Brasil considere as facções criminosas e narcotraficantes como ‘narcoterroristas’, também atingem de forma negativa a imagem do presidente Lula.