Manaus vive uma crise silenciosa — e cada vez mais letal — no trânsito. Dados de órgãos como o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) e a rede pública de saúde revelam que mais de 260 motociclistas morreram na capital amazonense entre 2024 e 2025, consolidando as motos como o principal vetor de mortes nas ruas da cidade.

Somente em 2024, foram 158 mortes de motociclistas, em um universo de 309 vítimas fatais no trânsito — mais da metade. Já em 2025, mesmo com uma leve redução geral, o número ainda assusta: entre 106 e 116 motociclistas perderam a vida, representando novamente a maior parcela das mortes.

A estatística escancara uma realidade preocupante: andar de moto em Manaus se tornou um fator de alto risco, tanto para condutores quanto para passageiros.

SISTEMA DE SAÚDE ESTRANGULADO

Se os números de mortes já são alarmantes, os de feridos revelam um cenário ainda mais crítico. Apenas em um único mês, a rede estadual registrou mais de 2,2 mil atendimentos por acidentes de trânsito, sendo 77% envolvendo motociclistas.

Na prática, isso significa que hospitais e prontos-socorros lidam diariamente com uma enxurrada de vítimas — muitas com fraturas graves, traumatismos e sequelas permanentes.

Especialistas apontam que, ao longo de dois anos, o número de feridos pode chegar a dezenas de milhares, evidenciando o peso dos acidentes de moto sobre o sistema público de saúde.

IMP0RUDÊNCIA LIDERA CAUSAS

Segundo as autoridades de trânsito, o problema não está apenas no aumento da frota, mas principalmente no comportamento dos condutores. Entre os principais fatores apontados estão:

Excesso de velocidade, recorrente em vias urbanas; Uso de celular ao volante, reduzindo a atenção; desrespeito à sinalização, como avanço de semáforo; ultrapassagens perigosas e o consumo de álcool antes de dirigir.

Além disso, questões estruturais agravam o cenário e falhas na fiscalização,bem como o rescimento desordenado da cidade.

MOTOCICLISTA SÃO MAIRIA DAS VÍTIMAS

Os dados confirmam uma tendência consolidada e alarmante: os motociclistas representam quase metade — e às vezes mais — de todas as mortes no trânsito no Amazonas.

A popularização das motos, impulsionada pelo baixo custo e pelo uso em serviços de entrega e transporte, aumentou significativamente a exposição ao risco, especialmente em um trânsito cada vez mais caótico. A pista molhada pelas constantes chuvas neste período também contribui para os acidentes.

Para especialistas, o cenário atual é resultado de um conjunto de falhas: fiscalização insuficiente, educação no trânsito limitada e infraestrutura urbana que não acompanhou o crescimento da frota.

O Amazonas pode continuar acumulando números elevados de mortes e feridos, transformando o trânsito em uma das principais causas de tragédias evitáveis na cidade. A rede de saude sente o reflexo desse problema no estado.