O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, reduzir a Taxa Selic, os juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. Esta é a segunda vez consecutiva que a taxa é cortada, um movimento amplamente esperado pelo mercado financeiro.

A decisão ocorre em um contexto de desafios para o controle inflacionário, acentuados pelas tensões globais decorrentes da guerra no Oriente Médio, que impactaram os preços de combustíveis e alimentos. Anteriormente, a Selic permaneceu em 15% ao ano de junho de 2025 a março deste ano, o nível mais alto em quase duas décadas.

Juros mais altos tendem a restringir o endividamento das famílias e a atividade econômica. Paralelamente, a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,89% em abril, com o acumulado em 12 meses subindo para 4,37%. O IPCA cheio de abril será divulgado em 12 de maio.

A meta de inflação, sob o sistema de meta contínua, é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O Banco Central elevou sua previsão para o IPCA em 2026 de 3,5% para 3,6%, mas essa estimativa será revista. O mercado, por sua vez, projeta uma inflação de 4,86% para este ano, superando o teto da meta.

A redução da Selic visa baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo, embora possa dificultar o controle inflacionário. A previsão de crescimento da economia para 2026 é de 1,6% segundo o BC, enquanto o mercado financeiro estima uma expansão de 1,85% do PIB.