O Banco Mundial divulgou uma revisão pessimista para a economia brasileira em 2026, ajustando a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% para 1,6%. A nova estimativa foi apresentada no relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, divulgado nesta quarta-feira (8) em Washington.
A instituição financeira internacional, que reúne 189 países e integra o sistema das Nações Unidas, atribuiu a redução a uma combinação de fatores externos, como a volatilidade nos preços do petróleo, e desafios internos, incluindo a alta taxa de juros que impacta o endividamento das famílias. William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, destacou a preocupação do consumidor com o cenário de juros elevados.
O endividamento familiar tem sido um ponto de atenção para o governo brasileiro, que inclusive avalia medidas para auxiliar os cidadãos, como a possibilidade de utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas. A projeção do Banco Mundial para o Brasil está em linha com a do Banco Central, mas abaixo das expectativas do mercado financeiro (Boletim Focus) e do Ministério da Fazenda.
Em âmbito regional, o Banco Mundial também rebaixou a projeção de crescimento para a América Latina e Caribe, de 2,3% para 2,1%. A instabilidade geopolítica, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, e seus reflexos na cadeia de suprimentos de petróleo e gás, foram apontados como fatores de desaceleração. A Europa, em particular, tem sentido os efeitos da elevação nos preços de energia.
Maloney ressaltou que os impactos do choque nos preços do petróleo serão sentidos globalmente, levando a uma postura mais cautelosa por parte dos países em relação à redução das taxas de juros. Juros altos, embora eficazes no controle da inflação, tendem a frear a atividade econômica ao encarecer o crédito e pressionar as finanças públicas.
Dentro do panorama latino-americano, o crescimento projetado para o Brasil o posiciona em 22º lugar entre 29 países analisados. A Guiana se destaca com projeções expressivas de crescimento, impulsionadas pela exploração de petróleo, com números tão elevados que foram excluídos do cálculo geral da América Latina pelo Banco Mundial.
Apesar da posição no ranking de crescimento, o Brasil foi elogiado por seus avanços em setores como a indústria aeronáutica, citando a Embraer como exemplo de excelência. A agricultura brasileira também foi destacada pela alta tecnologia e produtividade, com menção especial à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por sua contribuição na incorporação de aprendizado científico e desenvolvimento de capital humano, resultando em ganhos de produtividade sustentáveis.


