O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou veementemente o aumento recente nos preços do óleo diesel em postos de combustíveis, classificando a prática como “banditismo” e um “crime contra a economia popular”. As declarações foram feitas nesta sexta-feira (20) no Rio de Janeiro, após um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV).

Boulos argumentou que a alta do diesel não se justifica pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, especialmente porque o governo federal implementou medidas para mitigar esses efeitos. Entre as ações, destacou a redução a zero das alíquotas de impostos federais como PIS e Cofins, que, segundo ele, impedem que as distribuidoras repassem custos adicionais aos consumidores. Ele acusou as empresas de “transferir para o consumidor um aumento especulativo”, uma vez que não estão pagando mais pelo produto.

O ministro também abordou a questão da negociação com caminhoneiros, que haviam ameaçado entrar em greve devido aos preços elevados dos combustíveis. Boulos confirmou um encontro agendado para a próxima quarta-feira (25) no Palácio do Planalto com lideranças do setor. Ele ressaltou que a ameaça de paralisação foi desmobilizada após o governo se comprometer a atender às demandas da categoria, assegurando um diálogo contínuo para evitar prejuízos à economia e à população.

Para combater a especulação, Boulos informou que a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor estão realizando operações diárias em postos e distribuidoras. Segundo ele, mais de 400 estabelecimentos foram fiscalizados nas últimas 48 horas, resultando em lacrações, multas e a possibilidade de prisão de representantes envolvidos em fraudes.

Outra demanda atendida pelos caminhoneiros foi a publicação da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que penaliza transportadoras que descumprem o piso mínimo estabelecido para o frete. Boulos lamentou que, mesmo diante de multas expressivas, algumas empresas continuam a não respeitar o piso, o que motivou a nova legislação, que prevê a cassação do registro de funcionamento em caso de reincidência.

A volatilidade no preço do petróleo, influenciada por conflitos globais como a recente ofensiva contra o Irã, tem sido um fator de pressão no mercado internacional. Embora a Petrobras tenha realizado um reajuste no preço do diesel, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a desoneração tributária pelo governo ajudou a suavizar o impacto nas bombas. Adicionalmente, o governo propôs aos estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.