Um leilão sem precedentes para a contratação de reserva de capacidade de energia foi realizado nesta quarta-feira (18), visando garantir a segurança do fornecimento elétrico brasileiro a partir de 2026. O certame, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ministério de Minas e Energia e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), resultou na contratação de 18,9 mil megawatts (MW) de potência, com um valor total de contratos de R$ 515,7 bilhões.
O evento, considerado o mais importante do ano para o setor elétrico nacional, atraiu 100 vencedores e movimentou R$ 64 bilhões em investimentos previstos, ao mesmo tempo em que projeta uma economia de R$ 33,6 bilhões para o consumidor. A operação ocorreu de forma online na sede da CCEE, em São Paulo, em um contexto global de instabilidade nos preços de combustíveis, influenciado por conflitos internacionais que afetam rotas de exportação de petróleo.
O objetivo principal do leilão de reserva de capacidade é assegurar a potência firme e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo que haja usinas disponíveis para atender à demanda em momentos de pico, como o início da noite. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância histórica do leilão, classificando-o como o maior já realizado no país para térmicas, e afirmou que ele soluciona o problema de potência do sistema energético brasileiro para os próximos 10 anos.
O leilão contratou potência de usinas hidrelétricas e termelétricas a gás natural e carvão. As termelétricas, que são acionadas quando a capacidade das hidrelétricas é insuficiente, representam um custo maior e um impacto ambiental mais significativo. O ministro ressaltou que a contratação via leilão, com preços definidos em concorrência pública, resulta em menor custo para o consumidor em comparação com contratações emergenciais. Ele também previu que este possa ser um dos últimos leilões a contratar energia não renovável pelo governo.
Os contratos firmados preveem fornecimento de energia por um período de dez anos para as térmicas e quinze anos para as hidrelétricas. Os preços-tetos estabelecidos variaram conforme o tipo e a data de entrada em operação das usinas: R$ 2,9 milhões por MW/ano para novas termelétricas (2028-2031), R$ 2,25 milhões por MW/ano para termelétricas existentes (2026-2031), e R$ 1,4 milhão por MW/ano para hidrelétricas (2030-2031).
O certame foi antecedido por um amplo debate no setor, tendo sido adiado e judicializado em diversas ocasiões. A Abrace Energia, representante de grandes consumidores, defendeu a realização do leilão para reforçar a segurança do sistema, mas alertou para a necessidade de limitar a contratação a 10 GW para evitar aumentos excessivos nos custos tarifários. O leilão desta quarta-feira abrangeu seis produtos de térmicas e dois de hidrelétricas, com início de suprimento previsto entre 2026 e 2031.


