O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (28) para definir a taxa básica de juros, a Selic. Apesar de uma desaceleração recente na inflação geral, pressões em setores como serviços e a persistência de incertezas na economia brasileira moldam a expectativa dos analistas de mercado. A maioria aponta para a manutenção da taxa Selic em seu patamar atual de 15% ao ano, o mais elevado em quase duas décadas.

A Selic encontra-se em 15% anuais desde agosto de 2024, tendo permanecido inalterada nas últimas quatro reuniões após uma série de sete aumentos consecutivos. A decisão de manter ou alterar essa taxa, que serve como principal ferramenta do BC para o controle inflacionário, será divulgada no início da noite. O contexto da reunião é marcado por um Copom com quórum reduzido, uma vez que os mandatos de dois diretores expiraram no final de 2025, e suas substituições ainda dependem de indicações presidenciais e da volta dos trabalhos no Congresso Nacional em fevereiro.

A ata da última reunião, em dezembro, indicou que a Selic poderia permanecer em 15% por um período prolongado, visando assegurar a convergência da inflação para a meta estabelecida, sem, contudo, definir um cronograma para o início de cortes. O documento ressaltou a necessidade de cautela na condução da política monetária devido a um cenário de elevada incerteza, com preços de serviços ainda exercendo pressão inflacionária, mesmo diante de uma economia em desaceleração.

Pesquisas como o Boletim Focus, que compila projeções de economistas, indicam que a expectativa predominante é de que a taxa Selic seja mantida em 15% até março. No entanto, a recente queda do dólar, que retornou para a faixa de R$ 5,20, tem aumentado as especulações sobre a possibilidade de um corte já em janeiro.

A trajetória da inflação continua sendo um ponto de atenção. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, registrou uma alta de apenas 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em 12 meses, o que o colocou de volta no teto da meta. O IPCA cheio de novembro será divulgado nesta quarta-feira. As projeções para a inflação em 2025, segundo o Boletim Focus mais recente, foram ajustadas para baixo, para 4,4%, um patamar ligeiramente abaixo do teto da meta contínua de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que pode chegar a 4,5% devido ao intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A taxa Selic é fundamental para a economia, influenciando desde a rentabilidade de títulos públicos até as demais taxas de juros cobradas no mercado. Ao subir a Selic, o Banco Central busca frear a demanda e, consequentemente, os preços, encarecendo o crédito e incentivando a poupança, embora isso possa desacelerar a atividade econômica. Por outro lado, a redução da taxa tende a baratear o crédito, estimular o consumo e a produção, mas pode dificultar o controle inflacionário.

O Copom se reúne a cada 45 dias. Os encontros envolvem apresentações técnicas sobre cenários econômicos e financeiros, seguidas de deliberações da diretoria do BC para a definição da taxa. O novo regime de meta contínua de inflação, em vigor desde janeiro de 2025, estabelece uma meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A apuração da meta é feita mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses, com as verificações deslocando-se ao longo do tempo.