Em uma operação de grande impacto financeiro, a Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (18) o presidente e controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), quando ele tentava embarcar para o exterior em um jatinho particular.

A ação faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude sistêmica: a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, entre elas o próprio Banco Master.

Segundo a PF, esses títulos teriam sido vendidos a outros bancos mesmo sem lastro, e depois substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estimou que as fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 12 bilhões.

Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de prisão — entre eles o de Vorcaro — e 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

A poucas horas depois da prisão, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Segundo o BC, a instituição não teria mais condições de operar, o que interrompe automaticamente negociações recentes, como a anunciada compra pela Fictor Holding Financeira.

A sindicância aponta ainda para possíveis crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e gestão temerária.

Em depoimento ao Senado, Rodrigues destacou que a emissão de CDBs com juros muito acima do mercado — oferecidos pelo Master — era parte central da estratégia que envolvia operações financeiras altamente arriscadas.

A casa de um dos investigados, a PF apreendeu R$ 1,6 milhão em espécie, reforçando a magnitude das operações suspeitas.

A prisão de Vorcaro ocorreu pouco tempo depois de o grupo Fictor anunciar a compra do banco, o que levanta questionamentos sobre a viabilidade e a lisura da negociação.

A defesa do milionário afirma que sua viagem para Dubai seria “a negócios”, mas investigadores alegam que ele já estava sendo monitorado desde antes — sugerindo que a ordem de prisão pode ter sido antecipada para evitar a fuga.

Além de Vorcaro, outros executivos do Master também são alvos da PF, entre eles o sócio Augusto Lima.

E não é apenas o Master que está sob escrutínio: o presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo por 60 dias por determinação judicial, no âmbito da mesma operação.

O episódio alarmou o setor financeiro e acendeu sinais de alerta sobre a segurança das aplicações de alto risco. Clientes e investidores agora acompanham com apreensão os desdobramentos da liquidação do banco — e o possível impacto sistêmico, especialmente para quem comprou CDBs com rendimentos muito acima da média de mercado.