O mercado financeiro brasileiro experimentou um respiro nesta segunda-feira (16), com o dólar apresentando uma queda significativa e encerrando o dia próximo da marca de R$ 5,20. A desvalorização da moeda americana acompanhou o movimento observado no cenário internacional, impulsionada por uma diminuição na aversão global ao risco.
O dólar comercial fechou o pregão vendido a R$ 5,229, registrando um recuo de R$ 0,085, o equivalente a 1,60%. Apesar de ter flertado com os R$ 5,28 durante a manhã, a cotação despencou na parte da tarde, aproximando-se de sua mínima diária. Essa queda ocorre após dois pregões consecutivos de alta, nos quais o dólar superou os R$ 5,30, atingindo o maior patamar de fechamento desde janeiro.
A melhora no ânimo dos investidores globais foi em grande parte atribuída à queda nos preços do petróleo. A expectativa de uma retomada gradual do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial, contribuiu para a redução das tensões. O contrato do petróleo Brent, referência internacional, recuou 2,84% no dia, embora ainda permaneça acima dos US$ 100 o barril e com valorização acumulada de 40% no mês.
Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também desempenharam um papel na diminuição da tensão geopolítica. Trump sinalizou a possibilidade de restabelecimento do fluxo pelo estreito e indicou a disposição de interlocutores no Irã para o diálogo, o que levou investidores a desmobilizarem posições defensivas previamente montadas em meio a receios de escalada do conflito no Oriente Médio.
No cenário doméstico, intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos foram vistas como um fator positivo. Duas operações de recompra de papéis foram realizadas, visando aumentar a liquidez e reduzir a volatilidade na curva de juros. Essa ação resultou em quedas superiores a 30 pontos-base em algumas taxas de Depósito Interfinanceiro (DI).
Os investidores também ajustam suas carteiras em antecipação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que ocorre nesta quarta-feira (18). A expectativa predominante é de um corte na taxa Selic de 0,25 ponto percentual, levando-a de 15% para 14,75% ao ano. Contudo, alguns analistas ponderam a possibilidade de manutenção da taxa em função das pressões inflacionárias decorrentes da recente alta do petróleo. Mesmo com um possível corte, o diferencial de juros do Brasil deve permanecer atrativo para investidores internacionais, sustentando a valorização do real.


