A escalada de tensões no Oriente Médio e a crescente aversão ao risco global impulsionaram o dólar a fechar em R$ 5,32 nesta sexta-feira (13), o maior valor registrado desde janeiro. A moeda norte-americana subiu 1,41%, encerrando o dia cotada a R$ 5,316, com pico de R$ 5,325 no final da tarde. Este movimento reflete a busca por ativos considerados mais seguros em cenários de instabilidade internacional.
O agravamento das tensões envolvendo o Irã e os ataques israelenses aumentaram a preocupação com um conflito mais prolongado, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de intensificar ações militares. Esse cenário impactou diretamente os preços da energia e a confiança dos investidores.
Na semana, o dólar acumulou uma valorização de 1,38%, e em março já registra alta de 3,55%, revertendo parte das perdas de fevereiro. Apesar disso, no acumulado do ano, a moeda ainda apresenta uma desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real.
O mercado cambial brasileiro viu o real apresentar o pior desempenho entre as principais moedas emergentes, com saída de recursos do país e compra de dólares por investidores que buscavam aproveitar as cotações após o bom desempenho da moeda brasileira nos meses anteriores.
Diante da pressão, o Banco Central realizou uma intervenção pela manhã, vendendo US$ 1 bilhão no mercado à vista e ofertando contratos de swap cambial reverso, em uma tentativa de estabilizar o câmbio em meio a sinais de menor liquidez.
No cenário internacional, o fortalecimento do dólar foi acompanhado pelo avanço do Dollar Index (DXY), que mede seu desempenho contra uma cesta de moedas fortes, superando a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025.
Analistas apontam que, além da busca por proteção, o movimento do dólar também está ligado a mudanças nas expectativas sobre a política monetária dos EUA. A alta do petróleo e as incertezas inflacionárias têm levado investidores a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve.
No mercado de ações, o Ibovespa sentiu o impacto da aversão ao risco, caindo 0,91% e fechando aos 177.653 pontos, o menor nível desde 22 de janeiro. Na semana, o índice acumulou recuo de 0,95%, mas ainda registra valorização de 10,26% no ano, apesar de uma baixa de 5,9% em março.
A alta do preço do petróleo Brent, que avançou 2,67% e fechou a US$ 103,14 por barril, refletiu as incertezas geopolíticas e a expectativa de um conflito mais amplo no Oriente Médio.


