O conflito intensificado no Oriente Médio gerou um dia de expressivas oscilações nos mercados financeiros globais. O dólar registrou uma queda acentuada, aproximando-se de 1%, após ter superado a marca de R$ 5,30 durante a manhã. Paralelamente, a bolsa de valores brasileira encerrou o dia em baixa pela segunda sessão consecutiva, acumulando a pior performance semanal desde 2022. O preço do petróleo ultrapassou os US$ 90 por barril, apresentando uma valorização de quase 30% desde o início do conflito na região.

O dólar comercial fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,244, com uma desvalorização de R$ 0,043, o equivalente a 0,81%. A moeda apresentou grande volatilidade ao longo do dia, alcançando R$ 5,31 pouco após as 11h. Contudo, investidores aproveitaram o patamar elevado para realizar vendas. Dados que indicaram uma desaceleração na economia dos Estados Unidos também influenciaram a reversão da tendência de alta da moeda.

Apesar do recuo registrado nesta sexta-feira, o dólar acumulou uma alta de 2,08% na primeira semana de março. Em 2026, a divisa registra uma desvalorização de 4,51%.

No mercado de ações, a trégua observada no câmbio não se estendeu. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia em queda de 0,61%, aos 179.365 pontos. Na semana, o indicador registrou um declínio de 4,99%, configurando o pior desempenho semanal desde junho de 2022.

As ações da Petrobras foram uma exceção, apresentando fortes altas no dia. Esse movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelo expressivo aumento de quase 200% no lucro da estatal no ano anterior. Os papéis ordinários da companhia subiram 4,12%, enquanto as ações preferenciais valorizaram-se 3,49%.

O barril do tipo Brent, referência nas negociações internacionais, avançou 8,52% na sexta-feira, encerrando o dia a US$ 92,69. O barril do tipo WTI, negociado nos Estados Unidos, registrou uma alta de 12,2% em um único dia, fechando a US$ 90,90. A tensão geopolítica e o possível bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, contribuem para a ascensão contínua dos preços.

Um dado econômico surpreendente nos Estados Unidos, com o fechamento de 92 mil postos de trabalho em fevereiro, também afetou o mercado. Embora o resultado tenha sido influenciado por fatores sazonais, como fortes nevascas e uma greve de enfermeiros, o número veio abaixo das expectativas. Esse desempenho negativo impulsionou investidores a retirarem recursos de títulos do Tesouro americano, contribuindo para a desvalorização do dólar em diversas praças financeiras.