O mercado financeiro brasileiro sentiu o impacto da crescente tensão geopolítica global nesta sexta-feira (20), com o dólar comercial atingindo R$ 5,309, uma valorização de 1,79% no dia. Paralelamente, o índice Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, registrou uma queda expressiva de 2,25%, fechando aos 176.219 pontos, o menor patamar desde 22 de janeiro.
A instabilidade nos mercados é alimentada pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo consequente avanço nos preços internacionais de energia. A aversão ao risco por parte dos investidores globais se intensificou, levando a uma fuga de ativos considerados mais voláteis, como as ações de mercados emergentes.
A valorização do dólar ante o real reflete, em parte, o movimento global de fortalecimento da moeda americana e o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Há um receio crescente de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, possa adotar uma postura mais contracionista para combater a inflação, impulsionada pela alta do petróleo.
O agravamento das tensões envolvendo o Irã, com notícias sobre possíveis movimentações de tropas americanas e ameaças à segurança do Estreito de Ormuz – uma rota crucial para o transporte de petróleo –, elevou a incerteza. O barril de petróleo Brent superou os US$ 112, com projeções de que os preços podem permanecer altos por meses caso o fornecimento seja interrompido, impactando a inflação mundial.
No cenário doméstico, a saída de recursos e a redução de posições em ativos brasileiros contribuíram para o desempenho fraco do real frente ao dólar. A bolsa brasileira também sofreu com a conjunção de fatores externos e a alta dos juros futuros, afetando setores sensíveis à economia e ao crédito, como construção civil e varejo.


