O faturamento da indústria de transformação no Brasil apresentou uma recuperação em março, com um avanço de 3,8% em relação ao mês anterior. Este dado, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), sugere uma melhora na atividade do setor. No entanto, apesar do ganho mensal, o desempenho acumulado no ano ainda reflete perdas quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

A elevação nos juros e a consequente desaceleração da demanda continuam sendo fatores que impactam negativamente o setor industrial. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a alta da taxa de juros, iniciada no final de 2024 e mantida em 2025, encareceu o crédito, desestimulou o consumo e os investimentos, resultando em menor volume de encomendas para as fábricas.

A produção industrial, medida pelas horas trabalhadas, mostrou um aumento pelo terceiro mês consecutivo em março, com uma alta de 1,4%. Isso indica uma retomada gradual do ritmo produtivo. Contudo, o acumulado do primeiro trimestre ainda registra uma queda de 1,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

A utilização da capacidade instalada (UCI) também teve um leve aumento, passando de 77,5% para 77,8% entre fevereiro e março. Apesar dessa melhora, o índice permanece abaixo dos níveis observados no ano anterior. Azevedo ressalta que a indústria ainda possui capacidade ociosa, com potencial para aumentar a produção sem a necessidade de grandes investimentos, mas a demanda mais fraca limita essa expansão.

No mercado de trabalho, a situação continua desafiadora. O emprego na indústria registrou uma queda de 0,3% em março, marcando a quinta retração nos últimos sete meses. O recuo acumulado no primeiro trimestre foi de 0,7% em relação a 2025, refletindo a cautela das empresas diante do cenário econômico.

Os salários pagos aos trabalhadores da indústria também sofreram uma redução em março. A massa salarial caiu 2,4% e o rendimento médio real recuou 1,8%. Apesar dessas quedas mensais, os indicadores salariais ainda se mantêm acima dos patamares do ano passado, com a massa salarial acumulando alta de 0,8% e o rendimento médio real subindo 1,5% no primeiro trimestre.