O mercado financeiro elevou sua projeção para a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para 4,31% em 2024. A estimativa anterior era de 4,17%.
A mudança reflete as expectativas compiladas no Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) que reúne as previsões de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. Essa é a terceira semana consecutiva em que a previsão para a inflação em 2024 é ajustada para cima, em parte influenciada por tensões geopolíticas globais, como o conflito no Oriente Médio. Apesar do aumento, a projeção ainda se mantém dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (entre 1,5% e 4,5%).
Em fevereiro, a inflação oficial registrou 0,7%, impulsionada pelas altas nos setores de transportes e educação. No entanto, o acumulado em 12 meses mostrou uma desaceleração, recuando para 3,81%, o menor patamar desde maio de 2024. As projeções para os anos seguintes indicam uma leve elevação para 3,84% em 2027, com estimativas de 3,57% e 3,5% para 2028 e 2029, respectivamente.
Quanto à taxa Selic, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 14,75% ao ano. Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa. A expectativa predominante antes da escalada do conflito no Irã era de um corte maior, de 0,5 ponto. A Selic havia permanecido em 15,25% ao ano, seu nível mais alto desde julho de 2006, por um período prolongado. Embora o BC não descarte reavaliar o ciclo de cortes diante das incertezas globais, a próxima reunião do Copom em abril definirá os próximos passos.
Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a Selic é de 12,5% ao ano, com projeções de queda para 10,5% em 2027 e 10% em 2028, chegando a 9,75% em 2029. A política monetária, com o aumento da Selic, visa conter a demanda e controlar a inflação, enquanto a redução da taxa busca baratear o crédito, estimular o consumo e a atividade econômica.
No que diz respeito ao Produto Interno Bruto (PIB), a previsão de crescimento para a economia brasileira em 2024 foi ligeiramente ajustada de 1,84% para 1,85%. As projeções para os anos subsequentes apontam para uma expansão de 1,8% em 2027 e de 2% em 2028 e 2029. Dados recentes do IBGE indicam que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de expansão, com destaque para o setor agropecuário.
A previsão para a cotação do dólar ao final de 2024 está em R$ 5,40, com uma leve alta estimada para R$ 5,45 ao final de 2027.


