Alta nos custos atinge itens essenciais, impacta obras e leva entidades a alertarem sobre efeitos no setor e no acesso à moradia

O aumento recente nos preços dos insumos da construção civil já começa a impactar diretamente o mercado imobiliário no Amazonas. Levantamento com base em comunicados de fornecedores do setor aponta reajustes que variam entre 10% e 16% em itens essenciais, como tubos, conexões, concreto e outros materiais amplamente utilizados nas obras.

Entre os exemplos mais expressivos, estão os produtos de PVC, como tubos e conexões, com reajustes de até 16%, além de aumentos na ordem de 15% em materiais plásticos e cerca de 12,3% em serviços ligados ao concreto. Outros insumos, como o alumínio, também registram alta, com variações superiores a 10%.

Os reajustes vêm sendo aplicados de forma simultânea por diferentes empresas do setor, com vigência a partir de março e abril deste ano, o que evidencia um movimento generalizado de aumento de custos na cadeia da construção civil.

Diante desse cenário, a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (ADEMI-AM) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) divulgaram uma nota pública conjunta alertando para os impactos da alta dos insumos no estado, com reflexos diretos no custo das obras, no preço dos imóveis e na execução de projetos públicos e privados.

Para o presidente da ADEMI-AM, Henrique Medina, o momento exige atenção diante dos efeitos que já começam a ser sentidos no setor.
“Estamos vivendo uma nova escalada de custos que impacta diretamente obras públicas e privadas em todo o Amazonas. Não se trata de um movimento isolado, mas de um aumento generalizado dos insumos, que pressiona toda a cadeia produtiva da construção civil.”

Segundo ele, o impacto tende a ser ainda mais intenso na região Norte, em função das características logísticas.
“No Amazonas, esse efeito é potencializado. Nós temos uma dependência maior de transporte e uma logística naturalmente mais cara, o que faz com que qualquer aumento nos insumos tenha reflexo direto e mais forte no custo final das obras.”

A alta dos insumos já traz consequências práticas para o setor, como o aumento no custo dos imóveis, maior dificuldade de acesso à casa própria – especialmente para famílias de menor renda – e riscos de atraso, revisão ou até paralisação de obras.

“O setor produtivo também está sendo impactado. Não se trata de especulação, mas de uma realidade de custos que precisa ser compreendida. Isso pode afetar desde a viabilidade de novos empreendimentos até a continuidade de obras em andamento”, completou Medina.

Além disso, programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, também podem ser pressionados diante do novo cenário de custos, ampliando a preocupação com os efeitos sociais dessa alta.

Apesar do cenário desafiador, as entidades destacam que seguem acompanhando a evolução dos preços e defendem a construção de soluções por meio do diálogo institucional.

“O momento exige atenção e responsabilidade. Temos confiança de que, com diálogo e articulação, será possível encontrar caminhos para minimizar esses impactos e garantir que o setor continue contribuindo com o desenvolvimento do Amazonas”, concluiu o presidente da ADEMI-AM.

REAJUSTES RECENTES NOS INSUMOS DA CONSTRUÇÃO
Tubos e conexões (PVC): até +16%
Materiais plásticos (caixas, reservatórios): cerca de +15%
Concreto e serviços: cerca de +12,3%
Alumínio: aproximadamente +10,5%
Cimento: reajustes recentes aplicados por fabricantes

Reajustes registrados entre março e abril de 2026, de forma simultânea entre fornecedores, indicando aumento generalizado dos custos no setor.

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