O mercado financeiro brasileiro experimentou um dia de alívio significativo nesta segunda-feira (23), com o dólar fechando abaixo da marca de R$ 5,25 e o principal índice da bolsa de valores registrando uma alta expressiva de mais de 3%. A melhora nos ânimos dos investidores foi impulsionada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizaram uma diminuição nas tensões com o Irã, indicando a possibilidade de adiamento de ataques à infraestrutura energética iraniana.

No fechamento do pregão, o dólar americano foi vendido a R$ 5,24, representando um recuo de 1,29% em relação ao dia anterior. Durante o pregão, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,21. Apesar da queda observada no dia, a divisa ainda acumula uma alta de 2,08% em março, mas registra uma desvalorização de 4,52% no acumulado do ano.

A redução da percepção de risco global favoreceu moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro, permitindo que investidores reduzissem posições mais defensivas. A bolsa de valores, por sua vez, demonstrou forte recuperação após perdas na sexta-feira. O índice Ibovespa encerrou o dia com alta de 2,25%, atingindo 181.931 pontos, chegando a se aproximar dos 183 mil pontos em seu pico.

O avanço na bolsa foi liderado por ações de setores bancário e de empresas voltadas para a economia doméstica. Papéis da Petrobras apresentaram uma valorização mais contida, influenciados pela queda nos preços internacionais do petróleo.

Os preços do petróleo registraram uma queda acentuada, com o barril do tipo Brent, referência global, recuando 10,9% e fechando abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde o dia 16. Essa descompressão nos preços ocorreu após Trump expressar otimismo sobre um possível acordo e a iminência de um acordo nuclear. A passagem segura de dois petroleiros indianos pelo Estreito de Ormuz também contribuiu para a redução das tensões na região.

Contudo, autoridades iranianas negaram a existência de negociações diretas, o que moderou parte do otimismo que prevalecia durante o dia. Especialistas alertam que, apesar do alívio momentâneo, o cenário geopolítico na região do Oriente Médio permanece incerto, com persistência de restrições operacionais e movimentações militares. A volatilidade no mercado financeiro é esperada, diante da falta de clareza sobre um cessar-fogo duradouro.