A Federação Única dos Petroleiros (FUP) avaliou o recente reajuste no preço do diesel, anunciado pela Petrobras, como um reflexo de “graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil”. A entidade apontou a venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora em 2019 como fatores que contribuem para essa vulnerabilidade.

Em contrapartida, a Petrobras justificou o aumento, que entra em vigor neste sábado (14), atribuindo-o principalmente à guerra no Oriente Médio e à consequente alta do petróleo no mercado internacional. O preço do diesel vendido às distribuidoras subirá R$ 0,38 por litro, atingindo um valor médio de R$ 3,65 para o diesel A (vendido nas refinarias). A participação da Petrobras no diesel B, comercializado nos postos após mistura com biocombustíveis, será de R$ 3,10.

Apesar das medidas adotadas pelo governo federal para mitigar a escalada de preços, como o corte de impostos e subsídios, a pressão externa sobre o custo do combustível persiste. A FUP defende que a Petrobras fortaleça sua atuação em toda a cadeia produtiva, desde o refino até a comercialização, e amplie sua capacidade de refino nacional. Segundo a federação, uma Petrobras mais integrada proporcionaria maior segurança no abastecimento, reduziria a dependência de flutuações externas e promoveria maior estabilidade nos preços.

O conflito no Oriente Médio, com especial atenção ao bloqueio do Estreito de Ormuz – por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás –, tem elevado o preço do barril de petróleo Brent. Em duas semanas, a cotação saltou de aproximadamente US$ 70 para perto de US$ 100, representando uma alta de cerca de 40%. Essa instabilidade gerou alertas sobre a possibilidade de o preço do petróleo atingir US$ 200 por barril.