A Petrobras reafirmou nesta terça-feira (12) que não planeja realizar alterações drásticas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da elevação do petróleo no mercado internacional, intensificada pela guerra no Oriente Médio. A estratégia da companhia, segundo a presidente Magda Chambriard, é focar no aumento da produção para assegurar a soberania energética do país.
“A Petrobras tem trabalhado para aumentar a produção dos derivados [de petróleo] no mercado brasileiro, o que se revelou ainda mais importante a partir de março, em condições de guerra do Irã”, declarou Chambriard em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro. Ela enfatizou que “mudanças abruptas estão fora da nossa intenção de repasse”, durante a apresentação do balanço financeiro da empresa.
A escalada de tensões e os ataques entre Estados Unidos e Irã, iniciados em fevereiro, impactaram diretamente a região do Golfo Pérsico, um polo produtor de petróleo e ponto estratégico para o comércio global através do Estreito de Ormuz. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural passavam por essa via marítima, que sofreu bloqueios, desestabilizando a cadeia logística global e provocando a diminuição da oferta e o aumento dos preços.
O barril do Brent, principal referência internacional, saltou de aproximadamente US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos próximos a US$ 120. Como o petróleo é uma commodity, seu preço flutua no mercado global, afetando também o Brasil, apesar de ser um produtor.
Para mitigar o impacto no mercado interno, o governo federal implementou medidas como a isenção de tributos federais sobre combustíveis e ofereceu subsídios a produtores e distribuidores.
Enquanto o óleo diesel e o querosene de aviação (QAV) já foram reajustados pela Petrobras desde o início da guerra, a gasolina não sofreu alterações. Questionada sobre um possível aumento, a presidente da estatal explicou que os preços são monitorados, mas a decisão também considera a participação de mercado e a concorrência com o etanol.
“Temos a competição com o etanol, que em quinze dias caiu de preço. O Brasil tem uma frota flex, e só no posto o motorista escolhe qual combustível usar”, explicou Chambriard, acrescentando que a produção nacional de gasolina atende à demanda, com o país também atuando como exportador.
Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, esclareceu que a decisão sobre um possível aumento no preço da gasolina não está atrelada à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que visa zerar alíquotas de PIS/Cofins e Cide. “Se a empresa avaliar que está persistentemente com o preço que não atende às nossas expectativas, a gente vai aumentar; e o PLP, talvez, venha para nos ajudar a não repassar isso ao mercado”, disse, afirmando que, no momento, o preço está “equilibrado”.
Em termos de desempenho operacional, a Petrobras registrou um recorde de produção de óleo e gás no primeiro trimestre, com um aumento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias superou 100%, o nível mais alto desde dezembro de 2014, indicando alta eficiência operacional, mesmo acima das capacidades de projeto, com autorização da ANP.
A empresa também reportou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 110% em relação ao trimestre anterior. Comparado ao mesmo período de 2025, houve um recuo de 7,2%, explicado principalmente pelo efeito cambial, que não impacta o caixa da companhia, segundo Magda Chambriard.
Os investimentos da Petrobras totalizaram R$ 26,8 bilhões, um aumento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A dívida líquida da companhia atingiu US$ 71,2 bilhões, dentro do limite estabelecido pelo plano de negócios. O custo médio do barril de Brent no trimestre foi de US$ 80,61, 26,6% superior ao do trimestre anterior.
Apesar do aumento nos preços internacionais do petróleo, o comunicado da empresa aos investidores aponta que esse efeito ainda não se refletiu nas receitas do primeiro trimestre, devido aos prazos de precificação, especialmente no mercado asiático. A expectativa é que a elevação nos preços após o conflito no Oriente Médio seja refletida nas exportações a partir do segundo trimestre.


