O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como “extremamente injusta” e “totalmente descabida” a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, utilizando a Seção 301 de suas leis comerciais. Alckmin assegurou que o governo brasileiro atuará ativamente para reverter essa recomendação antes de sua formalização pelo governo norte-americano.
Em entrevista coletiva realizada em Brasília, Alckmin defendeu o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020. Ele garantiu que o Pix está fora de qualquer negociação com os Estados Unidos, pois, segundo ele, “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”. “O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, declarou o vice-presidente, descartando qualquer possibilidade de negociação sobre o sistema.
Alckmin também denunciou a atuação de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais, em um momento delicado de negociações com os Estados Unidos. “Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocam os seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, afirmou, ressaltando que essa postura de sabotagem afeta o emprego, a renda, as empresas brasileiras e a sociedade.
O vice-presidente rebateu os argumentos de Washington sobre um suposto desequilíbrio nas transações comerciais. Segundo Alckmin, a balança comercial é “amplamente favorável” aos Estados Unidos, com um superávit de US$ 40 bilhões no ano passado, considerando produtos e serviços. Ele destacou que oito dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil entram com alíquota zero, enquanto a tarifa média brasileira sobre importações norte-americanas é de 3,1%. Alckmin também mencionou o protecionismo dos EUA em setores como o do açúcar, onde o Brasil tem uma cota restrita e sobretaxas elevadas sobre o excedente.
Em relação à prática de desmatamento ilegal, citada pelo USTR, Alckmin apontou os avanços do Brasil na agenda climática, mencionando a maior queda no desmatamento nos últimos sete anos nos seis biomas brasileiros, com uma redução superior a 50% na Amazônia. Ele reafirmou o compromisso do país em zerar o desmatamento ilegal até 2030.
O vice-presidente enfatizou que o governo brasileiro busca intensificar o diálogo técnico com os Estados Unidos por meio de um grupo de trabalho bilateral, visando reverter ou mitigar a taxação proposta até o prazo final em 15 de julho. Ministros brasileiros, como os das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participarão de encontros em Paris, no âmbito da OCDE, buscando dialogar com representantes do USTR.


