O rendimento médio mensal por pessoa nas famílias brasileiras alcançou R$ 2.264 em 2025, registrando um crescimento real de 6,9% em comparação com o ano anterior, já descontada a inflação. Este patamar representa o maior valor já apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), iniciada em 2012, e marca o quarto ano consecutivo de elevação na renda domiciliar.
Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento aponta que o aumento no rendimento foi significativamente influenciado pela recuperação e expansão do mercado de trabalho, que atingiu níveis mínimos de desemprego no ano passado, além dos reajustes anuais do salário-mínimo. Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa, destacou o peso expressivo do rendimento do trabalho nesse resultado.
A metodologia de cálculo do IBGE considera a soma de todos os rendimentos recebidos pelos membros da família, dividida pelo número de moradores. Isso inclui salários, bônus, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e rendimentos de aplicações financeiras. Em 2025, 75,1% da renda média mensal familiar provinha do trabalho, enquanto 24,9% vieram de outras fontes, como aposentadorias e pensões (16,4%) e programas sociais (3,5%).
A pesquisa também revelou disparidades regionais significativas. O Distrito Federal liderou o ranking de rendimento domiciliar per capita, com R$ 4.401, seguido por estados do Sul e Sudeste. Em contrapartida, Ceará, Acre e Maranhão apresentaram os menores rendimentos. Por região, o Sul registrou o maior valor médio (R$ 2.734), enquanto o Nordeste e o Norte apresentaram os menores indicadores (R$ 1.470 e R$ 1.558, respectivamente).
Em um contexto individual, o número de brasileiros com algum tipo de rendimento atingiu 143 milhões em 2025, representando 67,2% da população – o maior nível já registrado. A parcela com rendimento do trabalho e de outras fontes também bateu recordes. Aposentadorias e pensões previdenciárias foram a fonte de rendimento mais comum nesse grupo, atingindo 13,8% da população, reflexo do envelhecimento demográfico. Benefícios sociais, como o Bolsa Família, foram recebidos por 9,1% da população.
O rendimento médio mensal do trabalho, considerando apenas os valores individuais, foi de R$ 3.560 em 2025, um aumento real de 5,7% em relação ao ano anterior. Quando engloba todas as fontes de renda, a média mensal individualizou-se em R$ 3.367, com crescimento real de 5,4%.
A Pnad também evidenciou a concentração de renda, com os 10% mais ricos detendo um rendimento 13,8 vezes superior ao dos 40% mais pobres. Em 2025, cerca de 18 milhões de famílias brasileiras, o equivalente a 22,7% do total, recebiam algum tipo de benefício social governamental.


