O estado do Rio de Janeiro se prepara para receber um volume expressivo de investimentos, estimado em R$ 526,3 bilhões até 2028, segundo projeções da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan-RJ). A previsão, detalhada no relatório Panorama dos Investimentos, abrange cerca de 2 mil projetos e sinaliza um cenário de otimismo para a economia fluminense.

O estudo aponta para 1.882 projetos em andamento ou com início previsto, totalizando R$ 327,6 bilhões. Adicionalmente, identificou-se um potencial de mais 79 empreendimentos, com estimativa de R$ 198,7 bilhões. Estes aportes devem gerar um impacto significativo no mercado de trabalho, com a expectativa de criação de aproximadamente 607 mil empregos anuais durante a fase de obras e cerca de 638 mil postos de trabalho permanentes na operação dos empreendimentos. Do ponto de vista fiscal, a Firjan-RJ prevê uma arrecadação associada a esses investimentos de R$ 6,4 bilhões durante a execução dos projetos e R$ 3,8 bilhões anuais na fase operacional.

Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, destacou que, apesar do cenário geopolítico mundial desafiador, os números refletem a confiança de investidores e da cadeia produtiva no potencial do Rio de Janeiro. “A nossa estimativa é que haja um ganho no número de empregos e um aumento na contribuição em forma de tributos e impostos, o que trará esperança de dias melhores para o Rio”, afirmou Caetano.

Entretanto, o diretor de Competitividade Industrial da Firjan, Maurício Fontenelle, ressaltou que gargalos em infraestrutura, energia e segurança pública ainda limitam um potencial de investimento ainda maior. A logística, especialmente rodoviária, mas também ferroviária e aeroportuária, é apontada como uma área crítica. A qualidade e disponibilidade do serviço de energia, principalmente fora da capital, e a segurança pública, que influencia a decisão de dois em cada três empresários, são outros fatores cruciais para destravar novos aportes.

Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, complementou que a segurança pública impacta diretamente nos custos de investimento, elevando o valor de seguros e a necessidade de escoltas, especialmente no combate ao roubo de cargas e mercados ilegais. Ele enfatizou a importância da integração entre União, estados e municípios para combater esses elos.

O setor de energia lidera as projeções, com R$ 215,7 bilhões em investimentos, sendo o segmento de petróleo e gás natural o principal destaque, com aportes de grandes empresas como Petrobras, Shell e Equinor. Em infraestrutura, concessões como as rodovias Rio–SP e Rio–Valadares, além da BR-040, e a renovação da concessão ferroviária da Malha Sudeste devem atrair cerca de R$ 41 bilhões.

A indústria de transformação também figura com R$ 25,6 bilhões em investimentos, impulsionada pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil, incluindo a construção de submarinos convencionais e um de propulsão nuclear. No desenvolvimento urbano, investimentos de R$ 20,3 bilhões, majoritariamente em saneamento, visam universalizar o abastecimento de água e esgotamento sanitário em 49 municípios fluminenses.