O mercado automotivo brasileiro apresentou sinais de recuperação em fevereiro, com um aumento de 8,6% nas vendas em comparação com o mês anterior, totalizando 185,2 mil emplacamentos. Na comparação anual, o crescimento foi mais modesto, atingindo 0,1%. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, as vendas somaram 355,7 mil unidades, um desempenho considerado estável em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A produção de veículos também mostrou um avanço em fevereiro, com 33,5 mil unidades saindo das linhas de montagem, um aumento de 25,9% em relação a janeiro. Contudo, o cenário muda quando se analisa o resultado acumulado do ano. A produção no primeiro bimestre de 2026 registrou um recuo de 8,9% quando comparada ao mesmo período de 2025, totalizando 338 mil veículos. A entidade ressalta que a coincidência do carnaval em março no ano passado pode ter influenciado o ritmo de produção de fevereiro de 2025.

A Anfavea destaca que o ritmo positivo das vendas em fevereiro não foi suficiente para compensar o desempenho da produção no bimestre, que foi significativamente afetado pela queda nas exportações. No total, foram embarcadas 59,4 mil unidades para o exterior, uma redução de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, expressou preocupação com a expressiva retração nas exportações para a Argentina, um mercado que tem sido crucial para os resultados positivos do setor.

Em contrapartida, o segmento de veículos leves híbridos e elétricos continua a ganhar espaço. Em fevereiro, foram emplacadas 28.120 unidades desse tipo, representando 15,9% do total de emplacamentos. A produção nacional de veículos eletrificados atingiu 43% desse volume, marcando a maior participação já registrada pela Anfavea em sua série histórica.

Calvet atribuiu o avanço dos veículos eletrificados aos investimentos em novas tecnologias e produtos. Ele reconhece os desafios para manter o crescimento do setor, citando a guerra no Oriente Médio como um fator de potencial impacto macroeconômico e logístico. No entanto, o presidente da Anfavea manifestou confiança na resiliência da cadeia automotiva brasileira e no compromisso dos associados em continuar investindo no país.