Em celebração ao Dia Internacional do Trabalhador, manifestantes de diversas categorias ocuparam as ruas em várias cidades brasileiras nesta sexta-feira (1º de maio). A principal reivindicação em pauta foi o fim da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1, que prevê seis dias de labor para apenas um de descanso, sem a consequente redução salarial. Em Brasília, o protesto ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
O ato unificado, organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal, reuniu trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas. Entre as vozes presentes, destacou-se Cleide Gomes, 59 anos, que participou acompanhada de familiares. Ela ressaltou as dificuldades enfrentadas por trabalhadores autônomos e sem carteira assinada, alertando para a exploração e a falta de conhecimento sobre direitos, como horas extras em feriados que muitos empregadores consideram meros pontos facultativos.
Representantes sindicais argumentam que a redução da jornada de trabalho, em vez de prejudicar a economia, pode impulsionar a produtividade e representa uma questão de justiça social. Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, criticou o que chamou de “terrorismo” propagado por algumas empresas sobre os efeitos da diminuição da carga horária. “O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes”, afirmou, defendendo que a redução é também uma medida inteligente para as empresas.
A busca por melhores condições de trabalho e a redução da escala foram temas centrais para muitos participantes, como a vendedora informal Idelfonsa Dantas. Paralelamente, novas gerações de trabalhadores, como as bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, que aguardam nomeação em concursos públicos, aproveitaram o ato para defender a valorização das carreiras na educação.
A discussão sobre tempo livre e autocuidado ganhou força, com depoimentos como o da estagiária Ana Beatriz Oliveira, 21 anos. Após vivenciar jornadas exaustivas em centros logísticos, ela relatou melhorias significativas em sua qualidade de vida, sono e saúde ao mudar para uma escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2). “Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem”, declarou, confiante na possibilidade de redução da jornada semanal para 40 horas sem prejuízo à produtividade.
A escala 6×1 foi classificada pela aposentada Ana Campania como “escala da escravidão”, em um contexto de preocupação com a precarização da mão de obra e a possível perda de conquistas trabalhistas como a estabilidade de servidores e garantias da CLT. A pauta da jornada feminina também foi levantada, com o sindicalista Geraldo Estevão Coan defendendo a divisão mais equitativa das tarefas domésticas e de cuidado com os filhos entre homens e mulheres.
Durante o ato em Brasília, um princípio de tumulto foi registrado quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro entraram em confronto verbal e físico com outros manifestantes. O incidente, provocado pela exibição de um boneco do ex-presidente em tamanho real, foi rapidamente controlado pela Polícia Militar do Distrito Federal, sem registro de ocorrências graves.


