Dados apresentados por Marcellus Campêlo em evento da Ufam mostram áreas de vulnerabilidade no estado, a serem atacadas
O engenheiro civil Marcellus Campêlo defendeu, em evento realizado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a ampliação dos investimentos em saneamento básico, drenagem urbana e infraestrutura sustentável, para o enfrentamento das mudanças climáticas no estado. Essas áreas, disse ele, são fundamentais para reduzir os riscos e aumentar a capacidade de resposta dos municípios aos eventos extremos.
A avaliação foi apresentada durante a palestra de abertura do Circuito Ambiental, evento promovido pelo Programa de Extensão em Engenharia Civil e Sanitária (PEECS) da Ufam. A abertura foi segunda-feira (22/6) e o evento prossegue até a próxima sexta-feira (26/06). Reúne especialistas, pesquisadores, estudantes e profissionais de diversas áreas para debater soluções voltadas aos desafios climáticos, à gestão dos recursos hídricos, ao saneamento, à sustentabilidade urbana e ao desenvolvimento ambiental da região amazônica.
Marcellus Campêlo é especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública. É ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). No evento, ele apresentou um panorama dos desafios urbanos enfrentados pelo Amazonas e destacou obras e projetos executados durante sua gestão, que contribuíram para fortalecer a resiliência dos municípios diante dos impactos das mudanças climáticas.
Segundo vice-presidente do União Brasil no Amazonas, membro titular do diretório da Federação União Progressista (UP) e pré-candidato a deputado estadual, Marcellus Campêlo ressaltou que a engenharia precisa estar no centro das estratégias de adaptação climática.
“Os eventos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes e intensos. A resposta para esse cenário passa por planejamento, obras essenciais e investimentos em infraestrutura básica. Quando falamos de clima e sustentabilidade, estamos falando também de saneamento, drenagem, habitação, recuperação ambiental e qualidade de vida para a população”, afirmou, diante de uma plateia de estudantes de Engenharia e Arquitetura da Ufam.
Durante a apresentação, o ex-secretário expôs dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que evidenciam os gargalos ainda existentes no estado. Segundo os indicadores apresentados, mais de 809 mil amazonenses ainda não possuem acesso à rede de abastecimento de água e mais de 3 milhões vivem sem coleta de esgoto. Outros 697 mil habitantes ainda vivem sem atendimento regular de coleta de lixo, e 36 municípios não possuem sistema estruturado de drenagem e escoamento das águas das chuvas.
Ao abordar experiências desenvolvidas durante os mais de sete anos na gestão da Sedurb e da UGPE, Campêlo destacou os resultados alcançados por meio do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), considerado atualmente uma das maiores iniciativas de requalificação urbana e ambiental da região Norte.
Entre as ações apresentadas estão a implantação de 34 quilômetros de novas redes de drenagem urbana, recuperação de áreas degradadas, reassentamento de famílias residentes em áreas de risco, recomposição vegetal em margens de igarapés e a construção de infraestrutura voltada à redução de alagamentos e à proteção de áreas vulneráveis.
“O objetivo sempre foi construir soluções permanentes. A drenagem urbana não é apenas uma obra de engenharia; ela salva vidas, reduz prejuízos econômicos e prepara a cidade para enfrentar eventos climáticos extremos”, destacou.
Outro exemplo apresentado foi a incorporação de infraestrutura verde aos projetos urbanos, com a destinação de 25% das áreas de intervenção do Prosamin+ para reflorestamento, totalizando mais de 110 mil metros quadrados de áreas recuperadas e a previsão de plantio de quase 13,5 mil mudas.
Campêlo também enfatizou iniciativas voltadas à preservação ambiental integrada ao desenvolvimento urbano, como a adaptação de projetos para manutenção de elementos naturais existentes, a criação de passagens de fauna e a adoção de sistemas de iluminação pública mais eficientes.
Nesse contexto, ele citou o Programa Ilumina+, que alcançou todos os 61 municípios do interior do Amazonas com a implantação de mais de 119 mil pontos de iluminação em LED, beneficiando comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.
Na palestra ele também falou sobre o projeto-piloto SIRWASH, desenvolvido para a comunidade Boa União do Rumo Certo, em Presidente Figueiredo. A iniciativa prevê soluções sustentáveis para abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e gestão comunitária dos serviços, ampliando o acesso à infraestrutura básica em áreas rurais da Amazônia.
» ENGENHARIA SUSTENTÁVEL
Para o chefe do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia da Ufam e organizador do Circuito Ambiental, professor doutor Matheus Pena Silva, a participação de Marcellus Campêlo trouxe ao ambiente acadêmico exemplos concretos de como a Engenharia pode contribuir para enfrentar os desafios climáticos da região.
“Nosso objetivo é aproximar a universidade das experiências reais de gestão pública e das soluções que já estão sendo aplicadas no território amazônico. A palestra do engenheiro Marcellus Campêlo mostrou que os desafios climáticos exigem conhecimento técnico, planejamento e capacidade de execução para transformar diagnósticos em resultados efetivos para a população”, frisou.
Segundo o professor, o Circuito Ambiental foi concebido justamente para estimular o diálogo entre academia, setor público e sociedade. “A Amazônia ocupa posição estratégica no debate climático global. Por isso, precisamos discutir sustentabilidade de forma prática, conectando ciência, engenharia, inovação e políticas públicas capazes de melhorar a vida das pessoas e fortalecer a resiliência das nossas cidades”, concluiu.
FOTOS: Caio de Biasi


