O cenário político no Amazonas mostrou, mais uma vez, sua capacidade de mudar rapidamente. O que até poucos dias era tratado como previsível sofreu uma reviravolta significativa após a eleição unânime de Roberto Cidade (União Brasil), governador do Amazonas.

A eleição ocorreu nesta segunda-feira (4), consolidando seu nome como pré-candidato fortíssimo à reeleição em outubro.

A movimentação não apenas fortalece o grupo ligado ao atual governador, como também reorganiza o xadrez político do estado a pouco mais de cinco meses das eleições.

UMA NOVA ‘RODOVIA SEM BURACOS’ para o Senado

Aliado direto do governador Wilson Lima (União Brasil), Roberto Cidade acaba abrindo espaço estratégico para o projeto político do grupo. Com sua permanência no comando estadual praticamente assegurada no cenário atual, Wilson ganha uma via mais livre para disputar uma vaga ao Senado — algo que, até então, enfrentava resistência e incertezas.

A leitura nos bastidores é clara: a engrenagem governista começa a funcionar de forma mais coordenada e eficiente.

DAVID SE BENEFICIA E GANHA FÔLEGO

Nesse novo contexto, o nome do ex-prefeito David Almeida (Avante) surge com mais força. Mesmo tendo deixado o cargo antes do fim do mandato para disputar o governo, e sendo um dos últimos a entrar oficialmente na corrida eleitoral, ele passa a ocupar um espaço competitivo relevante. As últimas pesquisas já coloca David com empate técnico com Maria do Carmo (PL).

Com forte influência política, estrutura administrativa recente e números positivos em áreas como saúde, educação, urbanização e setor primário — especialmente com investimentos inéditos na agricultura familiar — Almeida se posiciona como um candidato com base concreta e capilaridade eleitoral.

David Ainda tem a seu favor a máquina municipal comandada pelo seu ex-vice e atual prefeito Renato Júnior, por sinal, coordenador geral de sua pré-candidatura.

Diferente de Omar Aziz que faz esse ‘corre’ em busca de apoio de prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, ex-vereadores no interior. Wilson e David contarão com o apoio de duas máquinas pesadas.

Para completar, o problema é que não é só o Omar que está nessa corrida ‘maluca’ por apoios, David Almeida, Maria do Carmo e Roberto Cidade também estão na mesma ‘pista’ longa até a fita que determina o fim e consequentemente a vitória.

UM NOVO GRUPO POLÍTICO EM FORMAÇÃO

Talvez o movimento mais significativo — e ainda subestimado por parte dos analistas e de parte dos político da velha guarda — seja a consolidação de um novo bloco político no Amazonas. Esse grupo reúne nomes que vêm se aproximando estrategicamente: Wilson Lima, David Almeida, Tadeu de Souza, Renato Júnior e Roberto Cidade, muito parecido com o que o eleitor amazonense já viu décadas atrás, com o grupo liderado por Gilberto Mestrinho (MDB), Amazonino Mendes, Braga e Omar Aziz, que não lembra?.

A formação desse novo eixo e grupo dos ‘novos’, indica uma tentativa de renovação ou manutenção de lideranças, com maior alinhamento estratégico e divisão clara de projetos eleitorais.

DESGASTE DO “GRUPO TRADICIONAL”

Do outro lado, nomes historicamente fortes como Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) enfrentam um cenário mais desafiador. É bom explicar ao leitor que tudo que você está lendo são meras conjecturas e não descarta qualquer ‘possibilidade’ eleitoral.

Mas, a tentativa de articulação de um grupo político ainda em 2025, que buscava retomar protagonismo com figuras já conhecidas, liderada pelos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), ambos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não parece ter gerado o impacto esperado entre novas lideranças.

FATOR LULA NAS ELEIÇÕES NO AMAZONAS

Outro fator que pesa contra os dois principais nomes da política no Amazonas, neste caso, Omar e Braga, aliados de primeira mão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o impacto nacional: a queda de popularidade do presidente Lula que deve influenciar negativamente e diretamente aliados regionais, especialmente em um dos estados onde a direita e a extrema direita avançam com mais força, como o Amazonas.

REJEIÇÃO E MUDANÇA DE ‘HUMOR’ DO ELEITORADO

O ambiente eleitoral no estado começa a refletir: maior rejeição a nomes tradicionais; crescimento de candidaturas alinhadas a pautas conservadoras; fragmentação do eleitorado e a valorização de lideranças locais com gestão recente, são um conjunto de fatores que dificulta o caminho de Omar Aziz rumo ao governo e de Eduardo Braga ao Senado, tornando a disputa mais aberta e imprevisível.

SENADO INDEFINIDO

Na corrida ao Senado, o senador Plínio Valério (PSDB) aparece bem posicionado como segundo voto em diversos cenários. A disputa principal tende a se concentrar entre Wilson Lima e Eduardo Braga, com vantagem variável dependendo da consolidação das alianças.

Já a pré-candidata ao governo, a empresária Maria do Carmo (PL) surge como um nome em ascensão, podendo crescer em meio à indefinição do cenário. Apesar de ainda cedo para projeções definitivas, alguns cenários começam a ganhar força: um segundo turno entre David Almeida e Roberto Cidade; crescimento de Maria do Carmo como alternativa competitiva; dificuldade maior para candidaturas tradicionais consolidarem vantagem. Pode parecer improvável hoje — mas, no ritmo em que o cenário político do Amazonas vem mudando, surpresas não estão descartadas.

O Amazonas entra em uma nova fase política, marcada por rearranjos, novas alianças e enfraquecimento de estruturas tradicionais. A eleição de 2026, ao que tudo indica, será menos previsível e mais disputada do que se imaginava. Lembrando novamente que são apenas conjecturas.