Um novo livro, escrito por José Fornos Rodrigues, conhecido como Pepito, o empresário e amigo íntimo de Pelé por mais de cinco décadas, promete revelar um lado do Rei do Futebol raramente visto pelo público. Com mais de 50 anos de convivência, Pepito decidiu compartilhar as memórias e os bastidores da vida de Edson Arantes do Nascimento, o homem por trás do ícone mundial.

Intitulado “Pelé, o legado desconhecido”, o livro foi lançado recentemente no Museu Pelé, em Santos. Com 160 páginas e 26 capítulos, a obra narra a trajetória desde o primeiro encontro entre autor e o Atleta do Século em 1962 até o falecimento de Pelé em 2022, aos 82 anos. Pepito afirma que o objetivo principal é apresentar o “melhor Pelé”, aquele que existia longe dos holofotes e das câmeras.

“Ninguém conheceu o Edson mais do que eu. Nós convivíamos mais um com o outro do que com as respectivas famílias. E impus uma condição: mostrar o Pelé fora do campo. Dentro todo mundo já conhece. E vou provar que o melhor Pelé estava fora do campo”, declarou Pepito em entrevista à TV Brasil, explicando a motivação para a publicação, impulsionada por sua família.

A amizade entre Pepito e Pelé se consolidou a partir de 1969, quando Pepito, então promotor de vendas da Varig, conseguiu o contrato da companhia aérea com o Santos Futebol Clube. A parceria se estendeu por viagens internacionais, e em 1971, Pelé o convidou formalmente para trabalhar ao seu lado. A partir daí, a convivência se tornou inseparável.

Pepito descreve Pelé como uma pessoa de um carisma ímpar e um coração generoso, cujas boas ações em vida foram pouco divulgadas. O livro detalha iniciativas como a construção e manutenção de creches e asilos, além do oferecimento de bolsas de estudo e auxílio financeiro para tratamentos médicos no exterior. “Ele tinha um coração maior que o [estádio do] Pacaembu”, comparou o autor.

A relação entre os dois era marcada por uma profunda fraternidade, com discussões que, segundo Pepito, visavam o crescimento e o bem-estar de Edson, e não do Pelé público. “Para mim, ele não era o Pelé, mas o Edson. Acho que [após lerem o livro] as pessoas vão olhar o Pelé de outra forma e ver o quanto ele foi gigante também fora de campo”, concluiu Pepito, confiante no impacto que as histórias inéditas terão sobre a percepção do legado do Rei do Futebol.