Às vésperas de um novo ciclo de Copa do Mundo, com 1.419 dias restantes até o torneio de 2030, o torcedor brasileiro reflete sobre o futuro da Seleção após a eliminação nas oitavas de final em 2022. Uma pesquisa recente da IMO Insights, intitulada ‘Eu Vi o Brasil – O país do futebol?’, aponta para um sentimento dividido, mas com uma parcela significativa do público considerando encerrado o ciclo de Neymar com a Amarelinha.

Os dados indicam que 46% dos entrevistados acreditam que a trajetória de Neymar pela Seleção chegou ao fim. Embora não represente uma maioria absoluta, esse percentual revela uma tendência de mudança. Em contrapartida, 36% dos participantes da pesquisa defendem a continuidade do atacante, que terá 38 anos na próxima Copa, uma idade comparável à de Lionel Messi na edição atual. Outros 18% não demonstraram concordância nem discordância sobre o assunto.

A pesquisa também evidenciou um desgaste na imagem de Neymar junto ao torcedor. Para 67% dos entrevistados, a saída do jogador abriria espaço para uma renovação visando 2030, enquanto apenas 14% discordam dessa perspectiva. A diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda, comentou que a discussão sobre Neymar transcendeu o aspecto técnico, refletindo um desejo de mudança de ciclo. Ela destacou que o jogador perdeu popularidade em indicadores como jogador preferido e representante do espírito da Seleção.

Neymar, que enfrentou lesões durante o último ciclo e participou de poucos minutos na Copa de 2022, encerra sua participação com 80 gols em 130 jogos oficiais pela Seleção, tornando-se o maior artilheiro, superando Pelé. Sua carreira profissional segue incerta, com seu pai e empresário pedindo sua permanência no futebol.

Além da questão de Neymar, a pesquisa aponta para um clamor por transformações na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um expressivo 86% dos entrevistados acredita que a entidade necessita de mudanças profundas para recolocar o Brasil no patamar de potência mundial. Adicionalmente, 72% consideram que problemas de gestão influenciaram o desempenho da Seleção.

Curiosamente, a responsabilidade pela eliminação nas oitavas foi atribuída mais ao desempenho dos jogadores (30%), às decisões táticas (20%) e às convocações (19%) do que à própria CBF. Apenas 14% apontaram a entidade como principal culpada, e 6% creditaram o resultado à superioridade da Noruega.

Simona Karen Miranda ressaltou que a pesquisa sugere que a conexão do brasileiro com o futebol se baseia em grande parte na nostalgia de conquistas passadas, o que sustenta a crença na força do país. Contudo, ela observou que os brasileiros tendem a culpar fatores circunstanciais, e embora reconheçam a perda de protagonismo, a percepção predominante é que os problemas residem na forma como a equipe se apresentou, e não em uma perda definitiva da capacidade de revelar talentos ou disputar títulos.