Especialista destaca que liderança é construída e desenvolvida ao longo da carreira

Comunicação, comportamento humano e liderança estão diretamente interligados. Para a jornalista e treinadora comportamental Hélida Tavares, a comunicação é uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento de uma liderança eficiente, tanto no setor público quanto no privado.

Durante entrevista concedida à TV Encontro das Águas, nesta terça-feira (12), Hélida destacou que a liderança moderna exige mais do que conhecimento técnico e capacidade de gestão. “Tudo está ligado ao comportamento. Esse é o grande desafio, principalmente após a pandemia, quando as pessoas passaram a olhar mais para o comportamento humano. Tanto no setor público quanto no privado, os resultados passam pelo desenvolvimento humano. Hoje, fala-se muito na união entre conhecimento técnico e comportamento. Sem conhecimento técnico, não há resultado, mas sem habilidades comportamentais também não há sucesso profissional”, afirmou.

Um estudo realizado pela Amcham Brasil sobre o perfil da liderança revelou que 94% dos entrevistados enxergam uma relação positiva entre bem-estar, motivação e produtividade no ambiente de trabalho. Os dados fazem parte da pesquisa “Panorama da Liderança 2024”, realizada em parceria com a Humanizadas. O levantamento contou com a participação de 780 líderes empresariais de todo o país, predominantemente de executivos de nível C-Level, representando empresas que geram cerca de 1 milhão de empregos e possuem faturamento anual estimado em R$ 1,3 trilhão.

O estudo também indicou que os executivos estão atentos a uma mudança de estilo de liderança. Dentre uma lista de 59 características, as principais desejadas foram:

  • 63% acreditam que a liderança pode ser inspiradora para engajar equipes;
  • 61% acreditam que devem atuar com pensamento estratégico, principalmente na antecipação de mudanças e oportunidades, posicionando a empresa de forma competitiva no mercado;
  • 61% dos executivos defendem que o gerenciamento das próprias emoções, o reconhecimento e o poder de influência nas emoções dos outros, podem ser pontos fundamentais para criar um ambiente de trabalho positivo e produtivo.

Liderança moderna

Segundo Hélida, o modelo de liderança baseado apenas em autoridade vem sendo substituído pela influência e pela capacidade de conexão com as equipes. “Liderança não é cargo, é comportamento. Você lidera pela influência e pela capacidade de inspirar o outro a fazer o que precisa ser feito. Para liderar os outros, é necessário primeiro liderar a si mesmo — o que chamamos de autoliderança. Conhecer os próprios pontos cegos comportamentais é o primeiro passo para se tornar um gestor melhor”, destacou.

A especialista também ressaltou que nem todo líder possui um perfil expansivo ou comunicador, já que existem diferentes formas de liderar. “A boa notícia é que liderança pode ser aprendida e desenvolvida. Com acesso ao conhecimento e disposição para evoluir, qualquer pessoa pode aprimorar suas habilidades ao longo da carreira. O líder não é perfeito, é um ser humano como qualquer outro integrante da equipe”, pontuou.

Entre as principais competências exigidas pela liderança moderna estão as habilidades comportamentais e socioemocionais, conhecidas como “soft skills”, como comunicação, proatividade, trabalho em equipe, resiliência e inteligência emocional.

“Invista nas ‘soft skills’. O mercado contrata pelo currículo técnico, mas demite pelo comportamento. Aprenda a ouvir ativamente e a oferecer feedbacks que construam, em vez de apenas apontar falhas. Isso transforma a liderança em algo mais humano e eficaz”, aconselhou Hélida.

A treinadora também reforçou que comunicar não significa apenas falar bem, mas garantir entendimento e conexão. “Muitas pessoas acreditam que comunicação é um dom nato, mas trata-se de uma habilidade treinável. Na liderança, o maior erro é acreditar que aquilo que foi dito foi exatamente o que o outro compreendeu. A responsabilidade da comunicação é sempre do emissor. Se a equipe não executar o que foi solicitado, talvez o problema esteja na clareza da mensagem”, ressaltou.

Padrões externalizados

Hélida explicou ainda que comportamentos desenvolvidos no ambiente familiar podem influenciar diretamente a forma como as pessoas lideram e se comunicam dentro das empresas. Para a especialista, é necessário identificar e ressignificar muitos desses padrões, já que eles acabam sendo externalizados no ambiente profissional e nas relações de trabalho.

“Esse é um grande desafio. Quando trabalhamos comunicação e comportamento, precisamos identificar padrões aprendidos ao longo da vida para transformá-los. Muitos modelos adquiridos na infância não servem integralmente para o mercado de trabalho atual, que exige novas formas de comunicação, relacionamento e liderança”, concluiu.