O programa Move Brasil, lançado para impulsionar a renovação da frota de caminhões no país, já liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos no seu primeiro mês de operação. A informação foi divulgada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante um evento em Guarulhos (SP).
O objetivo principal do Move Brasil é rejuvenescer os veículos de transporte de cargas, que enfrentavam uma retração significativa nas vendas. Em 2023, o setor de caminhões registrou uma queda de 9,2%, com os modelos pesados para longas distâncias apresentando uma contração ainda maior, de 20,5% em comparação com o ano anterior. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicou que o mercado iniciou 2024 com uma retração de 34,67%.
Geraldo Alckmin atribuiu a baixa nas vendas à elevada taxa de juros no Brasil. Ele destacou que, apesar do recorde na safra e nas exportações, a logística para escoar a produção foi prejudicada pela dificuldade de financiamento. Com as taxas de juros mais acessíveis oferecidas pelo programa, que variam entre 13% e 14% ao ano (com condições ainda melhores para a entrega de veículos antigos para desmonte), o programa já demonstrou uma resposta positiva do mercado.
Um exemplo do impacto do programa é a empresa de transportes familiar de Orlando Boaventura, de Santa Isabel (SP). Com os recursos do Move Brasil, a empresa adquiriu seu 29º caminhão, otimizando custos com combustível e planejando a contratação de cinco novos funcionários. Boaventura ressaltou que a taxa de juros adequada tornou a compra viável, sendo o momento ideal para a renovação da frota.
O Move Brasil é fruto de um esforço conjunto entre empresas, sindicatos e o governo federal, visando não apenas a revitalização das vendas, mas também a manutenção de empregos no setor, a redução das emissões de carbono e a transição para uma logística mais sustentável. Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, enfatizou a importância do programa para a preservação de empregos diretos e indiretos.
O programa disponibiliza um teto de R$ 10 bilhões em crédito, proveniente do Tesouro Nacional e do BNDES, com R$ 1 bilhão destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. O financiamento pode chegar a R$ 50 milhões por usuário, com prazos de até 5 anos e carência de até 6 meses, e conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). O programa não tem prazo de conclusão definido, permanecendo aberto até o esgotamento dos recursos.


