A bolsa brasileira encerrou o pregão desta quarta-feira em forte declínio, com o Ibovespa registrando uma queda de 2,22% e fechando aos 170.330 pontos. Paralelamente, o dólar comercial avançou 1,14%, ultrapassando a marca de R$ 5,06 e encerrando o dia a R$ 5,067. Esses movimentos foram impulsionados por um cenário de aversão global ao risco, intensificado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela crescente preocupação com a possibilidade de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a diversos países, incluindo o Brasil.

A performance negativa do mercado acionário brasileiro, que marcou a maior perda diária desde 7 de maio, reflete a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros em detrimento de mercados emergentes. O Ibovespa chegou a tocar o menor nível desde 20 de janeiro, acumulando uma queda de 1,99% na semana. A deterioração do humor dos investidores acompanhou o desempenho negativo das bolsas americanas, que interromperam uma sequência de recordes recentes diante do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Além do cenário geopolítico, a proposta de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos adicionou incerteza. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) avançou com uma nova proposta tarifária relacionada ao combate ao trabalho forçado, após já ter recomendado uma taxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. O Brasil, por sua vez, contesta as alegações americanas sobre supostas práticas de trabalho forçado e políticas tarifárias.

No mercado de câmbio, o dólar fortaleceu-se globalmente e localmente, impulsionado pela procura pela moeda americana e por dados econômicos mais fortes dos Estados Unidos, que alimentam expectativas de juros elevados por mais tempo. A divisa chegou a atingir a máxima de R$ 5,09 durante a tarde. O real apresentou um dos piores desempenhos entre as moedas emergentes, influenciado pela saída de recursos da bolsa brasileira e por um posicionamento mais defensivo dos investidores antes do feriado de Corpus Christi.

Em contrapartida, os preços do petróleo registraram alta. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,89% para US$ 97,81, e o WTI avançou 2,4% para US$ 96,02. O aumento nas incertezas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã e a continuidade dos confrontos no Estreito de Ormuz elevam o risco de interrupções no fornecimento global de energia, alimentando preocupações com a inflação e a cautela dos investidores em todo o mundo.