A Petrobras comunicou nesta quinta-feira (12) que optou por não exercer seu direito de preferência para assumir o controle integral da petroquímica Braskem. A decisão significa que a estatal não adquirirá a participação da Novonor (anteriormente Odebrecht) na companhia.
A Braskem, sexta maior empresa petroquímica global, encontra-se em uma situação delicada devido à recuperação judicial de sua controladora, a Novonor. Esta condição legal permite à empresa endividada renegociar seus débitos com o aval da Justiça, buscando evitar a falência.
A Novonor, detentora de 50,1% das ações com poder de voto na Braskem, já manifestou o desejo de vender a empresa. A Braskem tem enfrentado dificuldades em um cenário internacional de baixa no mercado petroquímico. Em dezembro, a Novonor firmou um acordo de exclusividade com um fundo de investimentos, o Shine, assessorado pela IG4 Capital. O fundo se comprometeu a assumir as dívidas da Novonor em troca das ações da Braskem, o que o tornaria o novo controlador.
O acordo de acionistas da Braskem previa que a Petrobras, com 47% das ações votantes, poderia utilizar seu direito de preferência para adquirir as ações da Novonor. Adicionalmente, a estatal possuía o direito de ‘tag along’, que permite vender sua participação ao novo comprador da empresa. Contudo, em comunicado oficial, a Petrobras informou que renunciou a ambos os direitos. Assim, a estatal permanecerá como sócia da Braskem, mas sem o controle acionário, e também não venderá sua participação atual.
A decisão foi formalizada na quarta-feira (11) durante reunião do conselho de administração da Petrobras. Nos últimos meses, a diretoria da estatal havia expressado publicamente otimismo quanto ao potencial de negócios da Braskem.
Além de ser acionista, a Petrobras é uma importante fornecedora de matéria-prima para a Braskem. Em dezembro, foram renovados contratos de longo prazo, com validade de até 11 anos, cujos valores, na cotação atual do dólar, superam R$ 90 bilhões.
A Braskem opera unidades industriais no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México. A empresa emprega cerca de 8 mil funcionários e atende clientes em mais de 70 países. Fundada em agosto de 2002, a companhia resultou da integração de seis empresas pertencentes à Organização Odebrecht e ao Grupo Mariani.


