Um estudo recente divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) revela um aumento significativo na proporção de moradores da capital paulista que utilizam plataformas de apostas online como meio de complementar a renda familiar. Entre 2024 e 2026, o percentual de paulistanos que apostam com o objetivo de obter um rápido acréscimo financeiro cresceu dez pontos percentuais.
A pesquisa aponta que atualmente 35% dos entrevistados declaram apostar para aumentar sua renda, um salto considerável em relação aos 25% registrados há dois anos. Esse fenômeno, segundo a FecomercioSP, reflete um impacto socioeconômico da popularização das apostas, intensificado pela forte presença dessas plataformas nas redes sociais e pela facilidade de acesso proporcionada pelos smartphones e meios de pagamento instantâneos, como o Pix, utilizado por 96% dos apostadores.
Os dados indicam que a busca por renda adicional através das apostas é mais acentuada entre as faixas de menor renda. Cerca de 40% das pessoas com rendimento de até dois salários mínimos apostam para complementar o orçamento doméstico. Essa proporção diminui para 30% entre aqueles que ganham entre dois e cinco salários mínimos, e para 29% entre os que recebem entre cinco e dez salários mínimos.
A pesquisa também abordou a destinação dos recursos provenientes das apostas. Um quarto dos entrevistados (26%) afirmou que, caso não apostasse, guardaria esse dinheiro, comparado a 19% na pesquisa anterior. Uma parcela significativa indicou que usaria os fundos para cobrir despesas essenciais, como pagamento de contas domésticas (14%) e compra de alimentos (13%). As mulheres, em particular, mencionaram mais o uso para alimentação (18%) e contas (18%), enquanto os homens relataram maior tendência a poupar (28%) em detrimento do consumo direto.
Em relação aos gastos, a maioria dos entrevistados (54%) mantém seus investimentos mensais em apostas abaixo de R$ 50. No entanto, o estudo lançou luz sobre um aspecto preocupante: 12% dos paulistanos já buscaram ajuda financeira externa para continuar apostando, incluindo empréstimos com amigos, familiares ou instituições bancárias. A FecomercioSP ressalta que este dado é particularmente alarmante em um cenário de endividamento crescente na cidade, onde 72,9% das famílias já se encontram endividadas, segundo pesquisa recente da própria entidade.


