Recursos que foram ressarcidos a clientes do conglomerado Master após a liquidação extrajudicial das instituições do grupo foram predominantemente direcionados para bancos de maior porte. A informação foi divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (25), no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025.

De acordo com o documento, o episódio envolvendo o Master não causou impactos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O relatório destacou que a liquidação extrajudicial das entidades do conglomerado não gerou efeitos de contágio no sistema.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desembolsou R$ 37,7 bilhões para clientes do Master, Master BI e Letsbank. Deste montante, R$ 20,77 bilhões (55,1%) foram aplicados em títulos de instituições financeiras, R$ 1,47 bilhão em títulos privados e os R$ 15,46 bilhões restantes tiveram outras finalidades.

O Banco Central observou que os maiores bancos do país concentraram a maior parte desses recursos. Instituições classificadas como S1, que representam bancos com ativos significativos (pelo menos 10% do PIB) ou forte atuação internacional, receberam 40,9% dos valores. Bancos S2, de grande porte e com relevância sistêmica, absorveram 24,2%.

Durante a apresentação do relatório, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, afirmou que a migração dos recursos foi monitorada de perto pela autoridade monetária, com acompanhamento detalhado de cada cliente. Ele reiterou que a liquidação não afetou a estabilidade do sistema financeiro, lembrando que o conglomerado Master representava apenas cerca de 0,1% dos ativos totais do sistema bancário brasileiro.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também havia minimizado o risco sistêmico associado ao caso, comparando a situação a um banco de menor porte, que não apresentaria ameaça à estabilidade geral.

O relatório reforça a solidez do sistema financeiro brasileiro, mesmo em um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência. O BC assegura que não há riscos relevantes para a estabilidade, com capitalização e liquidez adequadas nos bancos. Testes de estresse indicam que as instituições financeiras possuem capacidade de resistência a cenários adversos, e a rentabilidade se manteve estável, com o crescimento dos resultados operacionais compensando o aumento dos custos com provisões.

Por outro lado, o relatório aponta uma desaceleração no ritmo do crédito em 2025, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. No segmento de pessoas físicas, observou-se um aumento no comprometimento da renda e na inadimplência em diversas modalidades de crédito, com projeção de continuidade dessa tendência. No entanto, o BC afirma que os bancos possuem provisões suficientes para cobrir perdas esperadas.

Finalmente, o documento destaca o crescimento contínuo do Pix, que já representa 29% das transações no varejo no segundo semestre de 2025, consolidando sua posição no sistema de pagamentos brasileiro.