A política de incentivo à indústria nacional, conhecida como Nova Indústria Brasil (NIB), receberá um reforço de R$ 140 bilhões até o final deste ano. Com esse aporte adicional, o programa, que visa fomentar a industrialização no país, totalizará R$ 750 bilhões em investimentos desde o seu início em 2023.
Desse montante, R$ 102,5 bilhões serão provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição pública responsável por financiar projetos estratégicos para a economia brasileira. Complementando os recursos, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), contribuirá com R$ 37,5 bilhões.
O anúncio foi feito durante as celebrações dos 74 anos do BNDES, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e de outras autoridades, incluindo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, o vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros.
Os recursos serão direcionados para áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento e a modernização da indústria brasileira, como fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos ativos (IFAs), biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias com aplicações civis e militares.
Aloizio Mercadante destacou a importância do BNDES no processo de reindustrialização do Brasil, afirmando que o setor voltou a ser o principal foco de financiamento do banco. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou que o BNDES atua como um catalisador, atraindo investimentos privados, que respondem pela maior parte dos recursos em quatro das seis missões estratégicas da NIB.
Na mesma ocasião, foi lançado o Portal Investe Indústria Brasil, uma plataforma virtual criada para que empresas de setores estratégicos possam registrar seu interesse em investir e identificar obstáculos que dificultam a concretização desses projetos. O portal conta com o apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Em um movimento para fortalecer cadeias produtivas essenciais, o BNDES e a Petrobras anunciaram uma parceria focada em pesquisa e desenvolvimento de minerais críticos e estratégicos para as transições energética e de óleo e gás. A colaboração visa identificar e suprir lacunas tecnológicas e de capacidade produtiva, com a Petrobras buscando liderar o desenvolvimento tecnológico nesse setor e estabelecer uma cadeia global de fornecimento no Brasil.
Outra iniciativa destacada foi o ProFloresta+, que selecionou três empresas – Systemica, brCarbon e re.green – para a compra de créditos de carbono gerados pela restauração de áreas degradadas na Amazônia. O projeto tem potencial para mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos, criar 6,3 mil empregos verdes, promover o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar 5 milhões de toneladas de carbono.
A cerimônia também marcou o anúncio de um financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici, empresa de aluguel de bicicletas, que utilizará os recursos para adquirir até 85 mil bicicletas elétricas. Estas e-bikes serão disponibilizadas para entregadores de aplicativos a um custo 25% inferior ao praticado atualmente.


