A Espanha celebrou neste domingo (19) a conquista de sua segunda Copa do Mundo masculina, um feito notável impulsionado por uma geração de jogadores cujas famílias têm origens diversas. Do elenco de 26 atletas que ergueram o troféu, apenas um, o zagueiro Aymeric Laporte, não nasceu em solo espanhol, tendo nascido na França e representado a seleção francesa nas categorias de base.
O brilho desta conquista é particularmente associado a Lamine Yamal e Nico Williams, jovens talentos cujos pais imigraram para a Espanha em busca de melhores oportunidades. Yamal, com 19 anos, já é aclamado como a grande promessa do futebol espanhol. Apesar de ter marcado apenas um gol no torneio, e com Rodri sendo eleito o melhor jogador, o camisa 10 do Barcelona carrega o peso de uma carreira promissora. Filho de pai marroquino e mãe guinéu-equatoriana, ambos chegaram à Espanha ainda crianças e se conheceram na adolescência. Seus pais, Mounir Nasraoui (34) e Sheila Ebana (35), estabeleceram-se em Mataró, na Catalunha, onde Yamal nasceu.
Nico Williams, de 24 anos, também representa essa nova era. Seus pais, Felix Williams e María Arthuer, deixaram Gana em 1994, enfrentando a travessia do Deserto do Saara para chegar a Melilla, um enclave espanhol. Após obterem asilo político, fixaram-se em Pamplona. María estava grávida de seu primeiro filho, Iñaki, que também se tornou jogador profissional e defende Gana em competições internacionais, inclusive nas últimas duas Copas. Nico nasceu oito anos depois de Iñaki, e sua conquista mundial foi celebrada pelo irmão com uma mensagem que ressalta o orgulho dos pais imigrantes.
Durante a partida decisiva, Nico Williams foi fundamental ao dar o passe para o gol de Ferrán Torres, que garantiu o título. Em um momento emocionante após receber a medalha, o jogador entregou seu prêmio à mãe, María.
A Espanha, com uma população de quase 50 milhões de habitantes, tem aproximadamente 20% de seus residentes (9,8 milhões) nascidos no exterior. O país tem mantido uma política de acolhimento a imigrantes, com medidas recentes para regularizar a situação de pessoas sem documentação que residem no território há pelo menos cinco meses e não possuem antecedentes criminais.


