Exposição no Bosque da Ciência reuniu pesquisadores e visitantes para desmistificar a imagem desses animais e destacar sua importância para os ecossistemas amazônicos

O projeto Arraias do Bosque realizou, uma ação educativa no Bosque da Ciência, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em alusão ao Dia Mundial da Conscientização sobre Tubarões e Arraias. A programação buscou aproximar o público desses animais, combatendo mitos e mostrando seu papel essencial para a manutenção dos ecossistemas aquáticos.

Durante a atividade, pesquisadores apresentaram espécies encontradas na Amazônia, curiosidades sobre tubarões que percorrem o Rio Amazonas e exemplares preservados na Coleção de Peixes do INPA.

Segundo a pesquisadora Lúcia Helena Rapp Py-Daniel, curadora da Coleção de Peixes do INPA, embora sejam animais marinhos, algumas espécies conseguem percorrer grandes distâncias pelos rios amazônicos.

“Existem registros da entrada de tubarões pelo estuário do Amazonas que chegam até Iquitos, no Peru. Há registros inclusive de fêmeas grávidas que chegaram e pariram lá.”

Ela também destacou que a coleção abriga um exemplar juvenil de peixe-serra coletado em Manacapuru há quase duas décadas, evidenciando a capacidade desses peixes cartilaginosos de penetrar profundamente na bacia amazônica.

Lúcia Helena ressaltou ainda a importância científica do acervo.

“A Coleção de Peixes do INPA é a maior coleção de peixes da Amazônia e atualmente a segunda maior coleção de peixes do Brasil.”

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, doutor Lucas Castanhola Dias, afirmou que a proposta da iniciativa é combater a visão negativa construída sobre esses animais.

“Nosso intuito é desvilanizar esses animais. Eles exercem funções importantes no ecossistema, e esperamos que as pessoas saiam daqui com outra perspectiva sobre sua importância ecológica.”

Entre as informações apresentadas aos visitantes esteve a de que as arraias não atacam pessoas deliberadamente, utilizando o ferrão apenas como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçadas.

A exposição também destacou que a Amazônia possui mais de 22 espécies descritas de arraias, incluindo a arraia-maçã, a arraia-motoro e a arraia-cururu, espécie endêmica da região de Barcelos e considerada uma das menores do mundo.

A programação contou ainda com relatos de quem convive diretamente com esses animais. O pescador paraense Willians Santos contou que já capturou tubarões durante pescarias na região da Baía do Guajará, no Pará, mas sempre devolveu os animais à água.

“Já consegui pegar tubarões no rio, mas sempre soltamos. Nosso objetivo era pescar outras espécies. Quando vi, reconheci imediatamente que era um tubarão.”

A ação reforçou que educação ambiental e divulgação científica são ferramentas fundamentais para ampliar o conhecimento da população e fortalecer a conservação da biodiversidade amazônica.