O tradicional bairro de Educandos, na zona sul de Manaus, volta a ser palco de uma das celebrações mais aguardadas da boemia amazonense. Nesta segunda-feira, dia 25 de maio, moradores, músicos, comerciantes, amigos e apaixonados pela cultura popular irão se reunir na Orla do Amarelinho para comemorar os 5 anos da “Segunda do Marajá”, evento que se consolidou como símbolo de resistência cultural, confraternização e valorização das raízes do bairro mais boêmio da capital amazonense.

Com início marcado para às 17h, a festa promete reunir centenas de pessoas em frente ao majestoso Rio Negro, cenário considerado um dos cartões-postais mais belos da cidade.

A programação inclui comida liberada, bebidas, música ao vivo com o melhor da MPB e aquele clima nostálgico típico das antigas rodas culturais que fizeram história nas ruas de Educandos.

Mais do que uma simples comemoração, a “Segunda do Marajá” virou um encontro de memórias afetivas. O evento resgata a essência de um bairro que nasceu praticamente junto com a expansão urbana de Manaus e que, ao longo das décadas, se transformou em referência da vida noturna, da música popular, do futebol de várzea e das histórias ribeirinhas da capital.

Educandos carrega em suas ruas personagens históricos e figuras lendárias da cultura amazonense. O bairro foi berço de grandes nomes como o cronista, escritor e pintor Moacir Andrade, um dos maiores memorialistas da Amazônia, conhecido por eternizar em suas obras o cotidiano do povo amazonense.

Também foi morada do sambista Mestre Oscar, considerado uma das maiores referências do samba raiz de Manaus e símbolo das rodas boêmias da zona sul.

A lista de personalidades marcantes inclui ainda figuras folclóricas como o lendário “Potinho”, personagem respeitado nas décadas de 1960 e 1970 na região da beira-rio, além de desportistas e nomes conhecidos da cena popular amazonense, como Antônio Piola, ligado ao futebol local.

O bairro também é lembrado pela presença de comerciantes tradicionais, músicos e famílias históricas como Peregrino, Paulo Tavares, Paulinho Tavares e Pepê Fona, Zé Maria, Rodrigo Malheiros, Walmir Varella, Walmizinho, Alonsinho, Jornalista Cleoberto, Tereza Brandão (in memoria), Nilão, Biano Mitoso, Alcides Castro, Sebastião Pereira de Souza (seo Sabá) in memória, Júlio Nogueira, Farmacêutico Waldir, Gil Erns, Navegante da Ferragem, Bariba, Carmorsa, Lane, Demétrio Sales, MoisésDibom, adonias e abude atém, Antonio Daniel, Caguru, Pedrão, Ana Célia, Alexandre Mariê, Iris, Edson Difunto e Rodrigo Malheiros, um dos organizadores do evento, entre outros ilustres moradores do bairro. Todos personagens que ajudaram a construir a identidade cultural da comunidade.

CARTÃO POTAL DE MANAUS

A Orla do Amarelinho, escolhida para a celebração, representa exatamente esse encontro entre passado e presente. Com vista privilegiada para o Rio Negro, o espaço se tornou ponto de encontro de artistas, sambistas, compositores e trabalhadores que mantêm viva a tradição boêmia de Educandos.

Os organizadores afirmam que a proposta da festa é celebrar amizade, cultura popular e pertencimento. Com contribuição de R$ 50, o público terá direito a comida, bebida liberada e apresentações musicais ao vivo, num ambiente preparado para receber amigos e famílias.

A expectativa é de que a edição de aniversário reúna antigos frequentadores, músicos da velha guarda e uma nova geração que mantém viva a tradição cultural da zona sul de Manaus.

Em tempos de transformações urbanas e mudanças sociais, Educandos segue resistindo através da música, das histórias e da memória coletiva de um povo que transformou a beira do Rio Negro em patrimônio afetivo da cidade.