O Banco de Brasília (BRB) anunciou uma alteração significativa em suas diretrizes de aumento de capital, passando a aceitar a internalização de recursos de forma parcial. Essa nova modalidade permitirá homologações intermediárias de valores até R$ 8,8 bilhões, aguardando posterior aprovação do Banco Central.

Segundo comunicado divulgado pelo banco estatal, o novo modelo visa permitir que os recursos injetados comecem a impactar o capital da instituição de maneira gradual, sem prejudicar as etapas subsequentes do processo. Anteriormente, o BRB necessitava aguardar a conclusão integral da captação de recursos para obter a aprovação final do Banco Central.

A decisão ocorre em um momento delicado para a instituição, que aprovou em abril a proposta de aumento de capital com o objetivo de fortalecer suas finanças. O governo do Distrito Federal, principal acionista com 53,7% das ações, apoia a emissão de ações ordinárias e preferenciais, podendo alcançar o montante de R$ 8,81 bilhões. Cada ação será oferecida a R$ 5,36 em subscrição privada. Com a operação, o capital social do banco tem potencial para saltar dos atuais R$ 2,344 bilhões para um mínimo de R$ 2,88 bilhões, podendo chegar a R$ 11,16 bilhões.

Adicionalmente, o BRB prorrogou o prazo para a subscrição de novas ações por acionistas até 3 de junho, buscando garantir que todos os acionistas possam exercer seus direitos de preferência.

O banco enfrenta uma crise institucional sem precedentes, desencadeada pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal em novembro de 2025. Investigações apontaram um esquema de fraudes financeiras que resultou em um prejuízo bilionário para o BRB, decorrente da aquisição de ativos considerados de alto risco do Banco Master. O controlador do Master, Daniel Vorcaro, está preso, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e preso sob suspeita de envolvimento.

A dimensão exata do prejuízo ainda não foi totalmente apurada, pois o BRB atrasou a entrega de suas demonstrações financeiras obrigatórias ao Banco Central. Estimativas preliminares indicam que o prejuízo pode ultrapassar os R$ 10 bilhões.

Em paralelo, o governo do Distrito Federal entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) buscando o aval do governo federal para a obtenção de R$ 6,6 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O ministro Luiz Fux relata o caso, e a governadora Celina Leão participou de audiência sobre o tema. O objetivo é que o aumento de capital e a recomposição das contas do BRB atendam às exigências regulatórias do Banco Central, assegurando a continuidade das operações do banco.

Recentemente, em audiência de conciliação no STF, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o GDF poderá propor contragarantias para o empréstimo, como o desconto em repasses federais caso haja inadimplência.